Diário de Conclusões

De crônicas não tem nada, efêmero diário de conclusões. Lembro-me de seus primórdios quando começava com um título de poliglota. Piada nas entrelinhas. Se nem do português conseguiu extrair a pérola, vai munir-se de audácia arrojada para afrescar-se com títulos? Não mesmo! Caderno despedaçado. Sei que guarda de tudo um pouco. O restolho vem pra cá. Pensamentos perdidos. Ainda assim tenta fazer-se com títulos. Onde já se viu? Cronista... Essa é boa. Ou melhor, ótima! Você não passa de uma costura retalhada, com tecidos de várias origens. Sequer tem personalidade. Vaga por campos desconhecidos como um doutor do vazio que carrega dentro de si. Você perdeu o jogo. E agora que acordou, pensa que tem o tempo? Não era aquele que dizia ser seu inimigo? E ainda matuta na esperança do mesmo ser solícito com seus desejos infundados. O tempo tem raiva por seu desperdício. Sem desculpas de amadurecimento. Já disse, palavras por palavras, todas enchem as folhas de papel. 

Acabou o parágrafo! As queixas também. Pode partir agora e desaparecer entre suas folhas rasgadas. As reflexões  perderam seu valor. A cortina está fechada. E não há mais plateia. Somente o adeus. Sei que ainda vai enveredar-se por outras vielas, mas eu já lavei minhas mãos. Agora adormeço. E penso em lindas histórias que nunca foram escritas. Sabe por quê? Porque você não teve coragem de escrevê-las. Mas eu já disse tudo o que tinha para dizer. E se ainda pergunta quem sou eu, olhe ao seu redor. Eu sou o tempo.

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