Mente Fantasiada

Luzes. É isso que eu vejo. Agora explodo.

O ano já chega em sua metade trazendo consigo um leve sabor de coentro baiano.

Pouco sei o que será reservado a mim nos próximos capítulos, mas sei que algo me espera. 

A vida é amor batendo as ondas nas pedras. Mar? 

Para um mineiro falar de mar, a esperança tem de estar vibrando no coração.

Cada onda traz consigo prazeres e desprazeres; a gente acaba se acostumando com isso.

O segredo é se molhar.

Domingo se estendendo pelo quarto. Sol e sombras dançando nas projeções.

E eu nada mais tenho para escrever.

O inverno começou mas aqui continua quente. Começou mesmo? Nem sei mais. 

Tenho um motivo que inebria minha consciência. Mente fantasiada. 

Cores performando enquanto a poesia não aparece.

O jogo de luz ainda dança nas paredes. Dança também na roda de pensamentos.

Tudo em movimento: ondas, danças, cores, sons e palavras.

Brincadeiras de criança. Criança que deixei de ser quando dei voz aos fantasmas.

O texto fala de coisas boas. Hoje os fantasmas morrem para renascerem outro dia.

É hora de atentar-me à alegria; o inverno está aqui e o sol não quer ir embora.

Tarde luminosa como desejos outrora tão quistos, perdidos nas profundezas de um entardecer.

Sim, são sentimentos vespertinos enlaçando alentos e assim guardá-los nas caixas desenhadas.

A poesia nasceu? Não sei nem mais o que ela é. 

Só sei que entre uma palavra e outra encontro um motivo para ser feliz.

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