Tracei Minha Rota

O que escrever quando tudo aquilo que escrevi já se consolidou? Como transcorrer um sentimento já descrito em versos de um poema qualquer?

Depois de alguns dias volto aqui e me deparo com estas duas perguntas. Até ia começar a escrever algo novo, já que me encontro em mais um entardecer nostálgico anunciando a chegada do inverno. Dessa vez, sem a estonteante presença do céu rosado. 

Tantas cartas escritas. Tantos caminhos andados. E a sensação de não chegar a lugar algum permanece me corroendo as entranhas. Ah, mas eu cansei de escrever sobre essa mesma ladainha todas as vezes. Palavras vazias. Infladas, cheias de ego. Assim como posso fazer jus a minha língua, que delineia meus pensamentos e forma palavras. O português. 

Uma rosa plantada sobre pedras soltas que fez seu caminho ao chão fértil. Que bom que minha língua é o português. Com ele eu posso brincar e me deleitar em seus acentos. Assim tracei minha rota. E muito além de contar uma história, a escrita carrega consigo um bordado. Ao olhar do avesso podemos saber de quem é o melhor trabalho.

E cá estou eu. Não mais me queixando do vazio dos dias. Mas me deixando contagiar pelas palavras que tomam conta de mim e fazem meu coração bater mais forte. Uma poesia, talvez. Prosa na língua. O conto precisa ser contado e a música, esta, precisa ser soada. 

A vida não para de dar rimas para noites como esta: do vazio nasce a harmonia. E uma lua fina rasgando o breu causa mais impacto do que as preocupações que há muito semeei. Voltemos os olhares aos jardins. Estes sim precisam de atenção.

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