Cores e Palavras

E as palavras continuam indo e vindo. Nessa manhã outonal já me inundo de sentimentos invernais. O dia pode até ser bonito, mas traz consigo o frio anunciando a chegada da estação impetuosa. 

E quem disse que o frio não tem beleza? As cores ganham tonalidades prateadas em seus contornos e o sol avança pelo pavimento com a suavidade de um pincel marcando a tela vazia.

Encantos da manhã. As flores cintilam como as estrelas da noite, pois são elas as estrelas do dia. Constelação da vivência em cores e contornos. E é no ar gelado dessa mesma manhã que meu coração se inunda de alento. A inspiração é o broto rasgando a semente germinada.

Não sinto as paredes me apertando pela manhã. O vento matinal tem toque angelical e varre a insegurança que usualmente acorrenta meus pensamentos. O "e se" parou de fazer sentido; transformou-se em "é" ou "não é". Nesse instante eu sou. E ao som da Orquestra Armorial componho o início do meu dia.

Que o azul do céu me invada por inteiro e preencha meu corpo para que eu fique todo azul. Sem espaços para máculas e tristezas. Hoje é dia de cores e palavras. Dia de fazer do tempo um amigo e aproveitar essa dança à qual sou convidado.

Por sinal, até as plantas estão dançando agora. Dançam com o vento e se regozijam com seus movimentos morosos e ritmados. Pois bem, agora é hora de inundar-me na manhã. E que as palavras não me fujam como fugiram há muito. Hoje eu quero ser só cores; cores e palavras.

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