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Mostrando postagens de 2020

Fantasmas de um Passado Assassinado

Encontro-me sozinho nesta tarde de sol. Há muito não via um dia tão bonito assim. Um azul prateado revestindo o céu com seu esplendor; as aves cantando ao longe; um vento tímido entrando pela janela e me abraçando; as pessoas conversando na rua; o sol se expandindo no horizonte quase marcando o horário de se pôr. Talvez dure uns quarenta minutos mais, me prestigiando com sua presença. Como eu amo este clima. Tenho a certeza de que se eu pudesse escolher um lugar para nascer, teria escolhido as Minas Gerais. Meu estado! Essa natureza me fascina. Um encanto no tom esverdeado das montanhas ao longe. Que terça-feira agradável. Poderia estar estudando para o concurso, mas resolvi vir aqui deixar marcado este momento. Tudo bem, pode ser que eu tenha me precipitado mais cedo e que a ansiedade quase chegou arrombando as portas do meu coração. Mas me controlei. Não deixei ela entrar. Botei-a para correr como um ladrão. Agora estou calmo. Tranquilo no fim da primavera. Essa ansiedade às vezes me...

Folhas Velhas de Árvores Esquecidas

Foram-se as histórias. A vida passando e a fogueira queimando mais uma vez. Gritos ao longe! Um desespero contínuo a espera da luz.  Os sinos badalam e mais gritos são ecoados ao longe. A fogueira queima e lança as cinzas para o céu. A madeira trepida. Clarão assustador. Tudo está diferente. Tudo mudou.  Inclusive eu. Já não sou mais o mesmo. Observo silenciosamente esses insetos ao meu lado. Moscas sem rumo. Nascidas da sujeira como larvas repulsivas. Costumava semear dentro de mim sentimentos assim: nascidos dos mais ascorosos esconderijos. Eram as moscas do meu íntimo. Traziam uma agitação estridente de pequenas asas em conjunto. Quem diria que eu as semeava enganando-me. Dizendo para mim mesmo que era necessário. As moscas se foram com o fogo. Se foram para nunca mais retornarem. A fogueira as queimou. Mas os gritos... Esses continuam destoando corriqueiramente. Inclusive agora, já que a noite se aproxima mais uma vez. Visto-me de verde nesse fim de tarde. A esperança há d...

Orquestra da Trivialidade

Dia nublado; ânimo amparado pelo cinza envolvente; matizes de pensamentos ultrapassados pelo peso da realidade. Cá estou eu, mais uma vez, com a apostila em mãos. Tenho certeza que irei passar neste concurso para o qual estudo. Só preciso me concentrar... Hoje fluiu mais — como se os obstáculos apinhados se dissolvessem na água para que toda a informação pudesse correr. Minha mente se abriu. Um aroma me trouxe lembranças. Lembranças de dias que não voltam mais. De luzes baixas, corredores longos e passos apressados. Um verdadeiro cortejo nostálgico realçado pelo frio lá fora. Ou pelo perfume que usei. Está aí o aroma. Além de tudo, uma mosca perdida, voando desnorteada, buscou me tirar do sério. Tentei atingi-la algumas vezes, todas em vão. Como se não bastasse a nostalgia, o desespero pelo conteúdo a estudar, o bruxuleio do dia cinza, ainda teve esse inseto voando incansavelmente próximo aos meus ouvidos. Nada comparado a um cenário de filme. São nuances da minha vida corriqueira. Pel...

Venha o que Vier

Já iniciei vários textos e os apaguei. Era como se eles não me pertencessem. Me via e não me via ao mesmo tempo. Loucura fantasiada de bloqueio criativo. Aliás, não gosto deste termo. Ainda que eu não consiga me expressar. Sou como a árvore na ventania. Só deixo cair as folhas que já secaram; pensamentos meditados; palavras somadas ao delírio; intervenção premeditada de reflexos... Como se eu me debruçasse às margens de um rio para me ver: ora a água estaria calma, ora estaria turva. Mas eu sempre veria alguma coisa. As minhas palavras se esgotaram. Sinto que a fonte secou. Ainda hoje escrevi um belo texto sobre a cascata que tocara meu íntimo. Lembro-me de suas águas precipitadas em abundância pela grande pedreira. Um verdadeiro véu mágico que me cobria. Onde está toda essa abundância agora? O deserto chegou cedo demais. Alguma coisa roubou minhas energias. Os bocejos são incessantes.  Paro para meditar e adormeço. Alguém não quer que meus textos sejam escritos.  Mas digo-lhe...

Do Céu ao Papel

Pela janela do quarto eu vejo um céu azul; vejo folhas douradas pelo sol do verão que se aproxima. Os dias estão quentes. Nuvens raleiam o horizonte e aves voam circundando o vazio. Paro e ouço. Tudo está em harmonia! Hoje, por incrível que pareça, consegui controlar minha ansiedade; meu coração não disparou; minha boca não secou; meus olhos não se contraíram. Ainda bem. Acho que descobri o segredo. Há algumas coisas que me fazem bem. E que são particularmente minhas. Pelo menos na interpretação da minha realidade.  A primeira delas é contemplar a natureza. Como dias bonitos como este me trazem paz. Acalentam meu ser. Talvez eu seja capaz de perceber nuances da natureza que ninguém mais consiga. Cores e movimentos. Melodias, também. Algo como um espetáculo feito exclusivamente para mim. Existem momentos em que eu acredito que só por este estado de contemplação vale a pena viver. Por isso dou todo valor ao simples toque de uma folha. Para mim, tudo é mistério. A segunda coisa que pr...

Ah, os pontos finais...

Aos poucos vou descobrindo minha identidade na escrita. Palavras emancipadas à emoção de viver a trivialidade com um toque de aventura. Lugar onde os pontos finais fazem morada. Trabalham. E trazem um suspiro à corrente avassaladora da linguagem. São 11:13 da manhã. Uma onde de ansiedade acabou de me atingir. Meu coração disparou. Apertei o polegar esquerdo com o indicador e fechei os olhos por um instante. Um filme passou na minha cabeça. Um desastre! Um espetáculo de inseguranças há muito escondidas. Meu maior desejo é vencê-las. Transformá-las em nuvens passageiras. Mas como farei isso eu não sei. Por que tudo isso aconteceu? Respostas jogadas fora. Nunca saberei. Só sei que ontem eu era uma pessoa, hoje sou outra. Pensamentos que vão e vêm num cortejo fúnebre no breu do inconsciente. Seria tudo mais fácil se eu pudesse me esconder em um lugar que só eu saberia. Neste lugar haveria apenas flores, pássaros, árvores e cachoeiras. Uma casa esconsa na floresta. Lá eu descansaria. Mas is...

O Maestro da Minha Vida

Minha mente está cansada; meus olhos estão cerrando; o dia vai acabando. Luzes minguantes surgem ao longe. Bruxuleio de memórias estacionadas numa tarde que passou. Neste cenário lúgubre percebo que na vida possuo alguns amores. Amo ouvir Otávio tocar piano. Amo o azul do céu. Amo o vento do entardecer. O sol que vai se escondendo no horizonte. As ondas do mar batendo nas pedras. As aves voando pelas flores da primavera. Eu tenho alguns privilégios nesta vida, de fato. Coisas que poucos terão. A maior delas é Otávio: meu maestro. Senhor das melodias. O que faz as estrelas tocarem a terra de forma harmônica como notas de um piano. Constelação artística que presencio a todo instante.  Nunca entendi a música. Mas tenho acesso a quem entende. Só sei sentir. E sinto exacerbadamente quando ouço Otávio tocar. Não para mim, mas para si. Por amor e paixão que tem à arte. E que arte! Dos grandes maestros que marcaram seus nomes na história. Otávio é um maestro também. De verdade! O meu maest...

O Sino dos Ventos de Minhas Memórias

Alguma coisa mudou em mim, para melhor. Mas ainda não sei do que se trata! Tentarei descrever da melhor forma o que sinto nesta manhã de novembro que já se despede da primavera para dar início ao verão. Pois bem, mais uma que se vai ao longo dos anos. Mais um ano que se vai ao longo da vida. E a vida continua a correr pelas estações, cada vez mais rápida. Pelo menos para minha percepção de tempo. Esse ano farei vinte e seis anos no fim de dezembro. Porém, ainda posso sentir um tilintar da infância em meu íntimo. Nada comportamental ou moralista; está mais para uma brisa fazendo mexer o sino dos ventos prateado que compunha o cenário de minhas brincadeiras.  Lembro-me, sim, de seu som ao longe. Ainda que na minha casa não houvesse um. Eu era uma criança feliz. Sorria e brincava sem parar. Mas à medida em que a idade foi me alcançando, meu semblante vestiu a capa da seriedade e eu nunca mais voltei a ser como era naqueles tempos ventosos. Hoje observo esta manhã que me circunda e per...

Saudade da Minha Cidade

Nada contra a cidade em que cresci: a pequena Mar de Espanha. Tenho plena admiração por sua exuberância natural; cachoeiras, vales, paisagens, florestas, montes e montanhas. O que falar dos riachos de pequenas cascatas? Só beleza! As estradas de terra batida também me encantam. Levam-nos para os distritos, as fazendas, sítios e chácaras. Vez ou outra é possível avistar uma boiada à frente. Carroças e cavalos; canários voando rente ao chão; seriemas desengonçadas e maritacas nas copas das árvores frondosas. Eu cresci próximo a isso tudo. Porém alguma coisa mudou... Minha Mar de Espanha da infância não existe mais. E eu poderia falar muito sobre isso. Textos e mais textos. Mas hoje não vou me aprofundar. Minha cidade ficou fria de uma hora para outra. Não sinto mais o aconchego de outrora. Uma turbulência descomunal tomou conta de suas ruas. O barulho de uma cidade industrial se fez presente nas salas das casas. Principalmente na de meus pais. A varanda onde brincava não traz mais a mesm...

O Segredo de um Relacionamento

O segredo de um relacionamento é ser cúmplice, companheiro, complementar. É estar em harmonia com o entorno das duas partes. Perceber que o que um não tem, pode-se encontrar no outro. Amizade verdadeira! É caminhar e mostrar as belezas do percurso com entusiasmo.  É nadar contra a correnteza do dia a dia, vendo nas horas uma oportunidade de partilha. É poder fazer surpresas agradáveis e compartilhar sorrisos. Também é se alegrar com a felicidade do outro. Estar feliz! Ser feliz! Encontrar um amigo com quem conversar. E passar horas e horas assim, como se o tempo tivesse parado. É encontrar os defeitos e mesmo assim não deixar a admiração se esvair. Ah, quantos segredos... É se orgulhar dos detalhes. É ter a voz como uma canção que acalma.  É amar incondicionalmente, como se não existisse mais ninguém nesse mundo. É navegar em oceanos ora calmos, ora turbulentos. Viver à flor da pele. Deixar a emoção falar mais alto.  Delirar-se. Dar abraços sem fim. Ver pores-do-sol com o...

Voz do Coração

Algumas coisas estão mudando para melhor.  A tempestade da minha mente está cessando aos poucos. Como um rio de águas transparentes, meus pensamentos vêm sendo purificados. Sinal de que estou evoluindo. Lembro-me de, há alguns dias, ter fechado meus olhos e enxergar as perturbações que me estremeciam com frequência. Era, sim, uma tempestade enfurecida. Hoje estou diferente. Consigo ver um oceano azul de águas calmas. Um riacho cristalino cercado por natureza. Um céu claro com nuvens de algodão. Tudo está melhor.  Sei que precisava vivenciar aquela tempestade. E que eu mesmo teria de dar um fim a ela. Consegui. Agora vamos aos fatos: tenho saído mais, convivido com pessoas, rido bastante... A felicidade está predominando. Diferentemente de outros tempos.  Não vou me atentar à época de Juiz de Fora. Tampouco à solidão. Quero expressar aqui meu contentamento por ter superado as fases turbulentas da minha vida.  De forma alguma posso afirmar que fui deprimido. Ou que dei...

Você é Uma Incógnita

 Estou bem reflexivo ultimamente. Tentando me conhecer melhor. Alguns já disseram isso para mim: Filipe, você é uma incógnita. E estão cobertos de razão. Posso dizer: nem eu mesmo me conheço. E busco este conhecimento cada vez mais. E venho refletindo muito sobre os caminhos que já percorri nessa vida. Me calei tantas vezes quando poderia falar. Me contive quando poderia extravasar. Me recolhi quando deveria me apresentar. Me escondi quando deveria irradiar. Pois é. Eu era assim. E acabei construindo uma esfinge dentro de mim.  Era a vida que eu tinha. Hoje só me resta alguns reflexos dela. Aos poucos vou sendo purificado dessa fase obscura que percorri por um bom tempo. Não queria ser uma incógnita. Um ponto a ser descoberto na constelação. Mas está tudo bem. Acredito que a cada dia eu me encontro mais nessa noite sem estrelas. Aos poucos as nuvens vão se dissipando, desvendando as maravilhas do universo que existe ao meu entorno. Vejam: minha mente não para. Nem um pouco! On...

Que Confusão

Que vontade de escrever que tive ontem. Não sei por que não escrevi.  Na verdade, sei, sim. Ontem, antes de dormir, deitei-me com a face para cima e fechei meus olhos um instante. Havia muita confusão em minha mente. Muito barulho.  Então, tapei os ouvidos com os dedos e tentei relaxar. Os barulhos aumentavam. Eram como trovoadas estremecendo minha cabeça. Até os raios cortando o breu eu conseguia ver. Tentava mudar o cenário em vão. Multidões não paravam de falar. Vez ou outra me encontrava sobre as ondas de um oceano enfurecido. Até mesmo um vulcão em erupção surgia diante de mim com lavas jorrando para todos os lados. Quanta perturbação. Algo gritava. Talvez meu dia tivesse sido bem intenso, mas não... Nada disso. Era barulho interno mesmo. Do qual não consegui me livrar, pelo menos não àquele instante. Lembro-me exatamente da sensação. Eu balançava de um lado ao outro estando imóvel. Eu sentia os tremores. Eu os via, ainda que meus olhos estivessem fechados.  Foi uma ...

Desconectado

Fui privado de escrever por alguns dias. Meu computador, surpreendentemente, parou de se conectar a internet, deixando-me à mercê das teclas que organizam minhas ideias. Perdi uma chuva linda que me inspirou à beça naquele momento. Mas toda inspiração se esvaiu no dia seguinte. Lembro-me apenas das folhas das árvores molhadas pela janela. Era notória tamanha felicidade. Perdi também grandes reflexões sobre assuntos variados. Textos que nem sequer nasceram. Foram abortados à força na mais violenta falta de internet. Como se eu precisasse dela para escrever... Eis, então, que surge o questionamento: será que só consigo escrever dessa forma? Conectado? Que tipo de escritor sou eu? O de meia tigela, só pode. Incapaz de pegar uma caneta e um caderno. Ou até mesmo, o celular. Mas que derrota escrever pelo celular. É como tentar ver o horizonte por uma janela pequena.  De fato, com as teclas do computador me sinto mais à vontade, tenho mais autonomia e não corro o risco de minha letra fic...

Um Sábado de Novembro

Não que eu seja obrigado a escrever alguma coisa. Escrevo porque quero. Depois de tantos livros, tantos textos, tantos parágrafos, cá estou eu fugindo dos padrões. Hoje é só mais um sábado qualquer... Um sábado de novembro, de céu azul e muito calor. Lembro-me de sábados tristonhos com ventania e folhas secas; com chuva prestes a cair e solidão. Muita solidão. Quando eu morava em Juiz de Fora era assim. Os sábados vagavam nas paredes do apartamento. A bela floresta que tinha como vista era minha companhia diária. As tardes se tornavam manhãs e os sábados... Estes se perdiam nas horas sem fim. Tão distante agora. Eu poderia ter amigos caso quisesse... Mas havia tantas feridas dentro de mim que acabava por me recolher em silêncio.  Nunca vou me esquecer daquela floresta. Eu sentia a chuva chegar por ela. Suas árvores começavam a balançar e os pássaros voavam para seus ninhos. Predominava um verde escuro estonteante.  Tardes solitárias. Quanta coisa aprendi naquele tempo.  E...

Estou no Controle

Venho encarando meu computador com coragem. Com a certeza de que estou no controle. É bom sentir o domínio de cada tecla, cada ação, cada movimento.  Foi-se o tempo em que era dominado por esta máquina. Agora quem manda sou eu. Eu que faço os textos fluírem. E fluem como rios. Correnteza nada tediosa. Águas cristalizadas expressando verdade e desvendando todos os mistérios de suas profundezas. Ah, grandioso rio das palavras. Os textos fluem naturalmente, sem esforços, sem compromissos, sem obrigações. Eles fluem com sentimento, emoção e transparência. Eu amo este momento. Perpetuo minha essência em palavras. Sinto paz. Os dias estão cada vez mais lindos. O verão está cada vez mais próximo. O sol entra pela porta da sala e me faz companhia. As plantas farfalham de alegria pela vista da janela. Observo-as contrastadas com o azul do céu. Como são lindas. São quase quatro da tarde e ouço as aves vespertinas cantarem ao longe. De fato, a vida nunca para. Eu amo tudo isso. Amo essa sensa...

Minguante das Palavras

Devo ter escrito em alguma tarde, por aí, sobre as cartas para ninguém que transcorro sem pensar. Aliás, penso, sim. Nos anseios do coração e nas inquietações da mente. Depois as leio; todas as cartas. E descubro que cada uma foi escrita para mim. Sim! Eu escrevo para mim, mesmo. Trata-se de uma grande descoberta. Pouco me importa o que pensam. Opiniões vazias não enchem minha cabeça, tampouco falam comigo. Descarto-as. Agora, eu posso dizer uma coisa: as cartas me ajudam. Longas e discorridas. Elas fazem-me sentir alívio. Minhas cartas! Não ligo se ninguém as lê. Eu as leio. E está tudo bem. Ainda que seja a mais linda de todas, permanecerá escondida aos olhos de ávidos leitores. Eles não querem tais cartas. Eles querem ler o que os grandes autores e cronistas escrevem sobre a vida. Nunca passarão os olhos pelos meus textos sentimentais.  Mas eu não ligo, pois, como disse: escrevo para mim. Quem vai querer saber de mim? De palavras desconexas. De linhas desorientadas. Não sou um g...

Escrita é Rio que Corre

Demorei muito tempo para perceber que a escrita é mais sentimental do que racional. Que ela era minha terapia de vida, e que com ela eu conseguia organizar minhas ideias. Demorei, também, para me desprender das releituras viciosas buscando uma harmonização inatingível das palavras.  Depois, tudo ficou mais simples. Percebo, agora, que a escrita é rio que corre. É água sem forma; instável e transparente. Flui como correnteza; ora tranquila, ora turbulenta. Sempre mutável. Para que os padrões? Arte não tem padrão. Arte é livre como um pássaro alegre em tardes quentes de verão. Arte é sentimento pulsando vivo no coração de quem a produz. É vida colorida dançando ao vento. É turbilhão de emoções buscando formas de expressividade. Como eu amo escrever. Como eu amo ser livre.  Por sorte, nas palavras encontro as duas coisas: liberdade escrita.

Manhã que já se foi...

12:35 O computador está sobre a mesa. E eu escrevo qualquer coisa.  Mas o mais surpreendente disso tudo é o contexto no qual me encontro. Vento entrando pela janela e passando por minhas costas.  Ontem era dia de finados e fez um sol estonteante.  Uma surpresa para mim que só guardo na lembrança tal data com chuva e tons cinzentos.  De qualquer forma, hoje o dia está mais cinza do que ontem. Uma música familiar tem invadido o ambiente em que me encontro. Sei das minhas obrigações e das coisas que preciso estudar. Mas não consigo... Nada entra na minha cabeça agora! Preciso encontrar a chave da concentração. Mas essa música... Nostálgica, que me acompanhou por muitos anos.  Faz-me recordar tempos passados, perdidos, quase esquecidos nas entrelinhas rotineiras. Sei que nada do que escrevo agora faz sentido.  Nesse arquétipo poético que nada cabe senão a banalidade. Atentem-se às horas! Já passou do meio-dia.  É tarde! A manhã já se foi e nada estudei....

Tarde de Primavera

Recuperei uma alegria há muito perdida: O êxtase de publicar uma reflexão literária.  Havia perdido esse sentimento nas encruzilhadas da vivência. O dom da escrita estava preso dentro de uma caixa no sótão. Tomado de poeira e teias de aranha.  Que saudade da sensação de dever cumprido, de escrever um bom texto e refletir em profundidade sobre histórias compartilhadas. Ah, o amor à literatura. Um dos maiores tesouros que carrego dentro de mim. Foi este mesmo amor que me deu o dom da escrita — e hoje me orgulho. Pobre de mim tê-lo deixado esquecido em um local escuro e frio. Há muito não via a luz do sol, ou sentia o vento correr por suas páginas amareladas. Seria mesmo um dom? Um presente? Semelhante a um livro lido e relido e, por ora, esquecido... Mas recordado! E amado. E para completar: hoje a tarde está linda. Estou amando tudo isso! O céu está alaranjado e azul. Tudo está perfeito. Como disse: o verão se aproxima mais uma vez, trazendo calor para todos. Agora, não mais pa...

É o Verão que se Aproxima

Ainda que minha cabeça esteja cansada, venho aqui deixar um grão de areia perdido na praia literária dos meus pensamentos. Falando em areia, hoje encontrei alguns grãos no bolso da minha bermuda. Que saudade do mar... De tudo aquilo que ele faz com suas ondas batendo nas pedras. O vento batendo no meu rosto... E o dia passando devagar. As manhãs estão bonitas ultimamente. O azul do céu tem me fascinado como nunca.  Tons de verde viram prata aos meus olhos. É claro que as plantas ficaram felizes com o sol, farfalhando suas folhagens sob seus raios, prateando suas nuances.  É o verão que se aproxima. Vontade de viver o novo.  De superar as dificuldades e ultrapassar barreiras. Ir além do que já fui um dia. Ser capaz...

Desfoque Virtual

Encontro-me sentado à mesa de frente para o computador. Estudei por poucas horas hoje e sinto como se tivesse aproveitado melhor meu tempo. O dia está cinza; o relógio marca meio dia e vinte e dois. Ainda não almocei. Existe uma pacificidade tediosa no ar. Algo monótono beirando a loucura. Mas sinto paz. Aprendi algo novo hoje: o desfoque virtual.  Estava tão vidrado nas redes sociais junto às fotos e postagens. Alegria passageira. Êxtase ilusório. Não tinha capacidade de perceber que, na verdade, não era eu que consumia as informações compartilhadas, mas as mesmas que me estraçalhavam e me deixavam no chão do raciocínio. Cansado. Fatigado. Exausto. Quantas horas eu perdi nesse poço de futilidade! Agora o relógio marca três e quatorze. E a vida continua... O sol apareceu tímido nesta tarde. Cansei-me da exposição. Vou respeitar meu momento de apuração perceptiva. Percepção de que a vida passa e eu preciso vivê-la. Nada comparado à aparência continuamente feliz que encontro no mundo...

Sonhei com a História Perfeita

 Hoje sonhei com a história perfeita. Uma pena que tenha se perdido. Se ao menos tivesse comigo um caderno e uma caneta para escrevê-la nos primeiros minutos de consciência, talvez ela não teria se dissipado como a neblina da madrugada.  Enfim, cá estou eu relatando uma lembrança de algo esquecido. A história que se foi... Era a história perfeita, de fato. De nada adianta eu juntar os cacos do cristal quebrado se eles rolaram pedra abaixo e se espalharam pelo meu inconsciente. Nada posso fazer, a não ser cultivar a esperança de um dia sonhar com a mesma história mais uma vez.  Deus queira que eu tenha comigo um papel para registrar. Não posso deixá-la escapar de novo. Ah, minha história. A história perfeita.  Só eu a vi. Só eu senti suas nuances sentimentais espalhadas no contexto vivenciado por personagens criados em minha mente. Só eu me emocionei com sua dramaticidade. Para quê? Para se perder assim? Na noite do tempo. Clichê! No mais, a história está perdida. E s...

Aranha Descontrolada

Estou aqui, estudando e me imaginando em um jardim. Música instrumental tocando em uma janela paralela ao lado, junto ao vídeo da aula. Direito do consumidor... Para o concurso público do Banco do Brasil que irei passar. Mas voltemos ao jardim: Quantas cores passam por minha cabeça. Uma grama verde sob meus pés e um céu azul enlaçando minha cabeça com nuvens brancas passando vagarosas. Oi, aqui é Filipe. O mesmo... Esquece! A aula está passando e eu não posso pensar muito no que escrevo. Senão não presto atenção. E como eu vou passar no concurso, preciso me dedicar. Mas o jardim é tão bonito... Que me distrai. Muitas coisas me distraem. Está tudo bem! Tenho vencido as distrações. Eu queria falar sobre mim, sobre as coisas que tem acontecido comigo, sobre os dias que estão passando e sobre como minha vida mudou... para melhor. Eu estou amando. Tudo! A vida, os dias, as pessoas e eu mesmo. Tudo é lindo... Até esta aula tediosa que passa paralela à minha imaginação. Aqui é Filipe, como an...

Memórias como Tesouros

Chega o dia em que as memórias se tornam tesouros, escondidos no mais profundo dos oceanos. Lembro-me das águas cristalinas correndo em rios pedregosos, dos sorrisos dispersos ecoados à luz do sol, do som das folhas das árvores, dos pássaros cantando e da vida acontecendo para nós dois. A sua companhia foi o melhor presente que pude ganhar. Àqueles dias passaram rápido demais, restando-me os olhos brilhantes que em constância refletem sua presença pelos corredores da casa. Ah, como eu te amo! Mais do que a expectativa de ver uma cachoeira ao longe, imponente nascendo no meio de um vale encantado. Mais do que os momentos de alegria compartilhados depois de doses sucessivas. Mais do que passear pela manhã de sol em um lindo parque. A falta que você me faz é como desenhar uma paisagem e não entendê-la, por não haver sentido a distância. As formas e as cores só ganham significado quando te encontro refletido em meus olhos. Foram dias mágicos, compartilhando pores do sol, ouvindo sua voz a ...

A Luz e a Solidão

Esqueçam das palavras bonitas; das construções poéticas; das frases harmônicas. Nada disso será descrito hoje. Mas algo muito maior, que vai além das minhas habilidades com a escrita. Algo que não se compartilha numa roda descontraída de amigos, na mesa com a família, em tardes de verão — sagrado ao meu ver. Sim, foi o que eu disse. O que aconteceu cabe a mim. Foi para mim. Nada para ninguém — visando a abrangência do meu ser ao coletivo. Tudo para todos. Confuso? De fato, não escrevo para que tenham compreensão dos mistérios da vida. Escrevo para que saibam que eles existem. E acontecem a cada momento. Agora mesmo está acontecendo.  Não se desesperem; tudo será explicado. Não por mim. Eu apenas vivenciei. O que eu vi? Luz! Invadindo meu quarto e tocando meu espirito. Uma sensação de tranquilidade como ondas azuis quebrando em praias brancas; vento que passa entre folhas; vida que é vivida.  Tudo parece bobagem para vocês. Eu sei. Mas acreditem, existe mais. Algo inexplicável ...

Infinitas Cartas

Infinitas cartas para expor um sentimento inexpressável. Para quê? Nada aconteceu. Por muito busquei o sucesso em páginas arremessadas ao vento e me esqueci das noites estreladas que passavam lentamente por minha cabeça. Tais noites não voltam mais. As estrelas? Estas continuam brilhando em algum lugar; lugar este que não tenho acesso. Se perdeu na noite do tempo. Vivi tanto. E ao mesmo tempo não vivi. Esqueci de ser eu mesmo e me apeguei na aparência, nas conversas paralelas, no que os outros pensavam de mim, no agrado estraçalhado, no reconhecimento ilusório, na compaixão construída sobre a areia... Tudo se perdeu.  E como eu vivi. Eram cadernos e mais cadernos... Propósitos de uma vida fantasiada em virtudes. Àquela época não sabia que era impossível. Tentei ser o que não era. E não fui. Agora vejo o quanto isso me custou. Das noites solitárias, do tempo passando pelo espelho, de banhos demorados, de textos escritos sem ninguém para lê-los. Ah... Quanto tempo isso demorou. ...

O Organista

Molda-se em grandeza aquele que ao longo dos anos se vestiu de sublime encanto nas catedrais de pedra esculpida. Lá se destacava em proeminência o instrumento que invadia o íntimo dos aflitos colhedores de esperança em palavras de alento. Mas nenhuma palavra se comparava ao órgão que dominava o vento, transformando-o em notas musicais ecoadas em seus tubos de metal polido. Mágica transmutada em música. Era como se as virtudes cantassem junto às vozes do coro enlaçadas pelos dedos e pés do organista, regendo seus instintos triunfante. Sois tal o dominador da esfinge viva? Enigma aos olhares curiosos que buscam entender como dali pode sair tamanha harmonia. De fato, valeu à história dar-lhe o epiteto de rei dos instrumentos, pois soberano preserva a arte em seu emaranhado de caixas, canos, tubos, teclas, ripas e cordas. Obra escultural de onde o organista faz estremecer como uma tempestade as melodias da alma, refletidas pelo respeito, pelo tributo, pela emoção de sentar-se ali até que s...

Caí na Real

Passou à mente o fato da minha escrita ser impulsionada por uma força desconhecida; regida ao laço da ambição; estacionada à sombra da vaidade e emancipada pelo desejo do sucesso. Eu não sou esse que vos fala. Nunca fui. Não quero que o ofício se resuma à superficialidade do querer escrever por reconhecimento, mas que o mesmo se expanda à profundidade sentimental que esconde os monstros que alimento.  Percebi o erro. E quero reverter a situação.A escrita é o meu meio de acesso ao mundo da imaginação e nela encontro as asas da minha criatividade tímida com medo de se expor. Se ao menos a visse como uma filha querida. Mas não; não a vejo assim. Vejo-a como uma máquina de fazer e refazer algo metódico e burocrático. Chega dessa palhaçada. Rasguem as folhas. Abram as janelas. Renasci para a escrita.  Minha alma agradece pela coragem — sei que mudei. E quero mudar muito mais. Não existe ninguém que possa fazer esta mesma coragem crescer em mim a não ser eu mesmo. E cá estou eu. Esc...

Caríssima Madrinha

Nota publicada em 01 de março de 2018: Existe uma coleção da obra de Humberto de Campos em dez exemplares que faz parte do meu acervo pessoal. Entretanto, como foi mostrado há alguns dias, enfrento um problema por não possuir o primeiro volume dessa grande edição publicada pela Editora Opus no ano de 1982 — justamente o livro com suas poesias completas. Já procurei pelo título em inúmeros lugares e não encontrei sequer um sinal de sua existência. Apesar dos pesares, não perderei minha esperança de um dia encontrá-lo. Carta enviada em 20 de março de 2018: Caríssima madrinha.  Depois de várias procuras frustradas do único volume que faltava para minha coleção das Obras Escolhidas de Humberto de Campos, eis que você surge com esta surpresa!   Poesias Completas: de fato, são nesses detalhes que a vida nos presenteia com momentos, lembranças, destinos... responsáveis por notabilizar os versos que escrevemos a cada dia.   Hoje pude concluir uma estrofe que há muit...

Distanciamento...

Aos dias sem fim de distanciamento: nem sei mais se sei escrever; se as palavras encontram seus porquês em contextos surrados pelo tempo; se a história continua girando o engenho das interpretações eufóricas das frases pedantes de efeito... Parece que tudo caiu em um poço sem água. De baixo, um círculo onde as estrelas passam lentamente... Mais uma vez, a vida não descansa. Pode ser que quando eu reencontrar o que perdi, minha excelsa pena de escrever, haja palavras para tamanho evento. Ou não... Possuem vontade própria! Enquanto me recolho, as palavras saem e vagam pelas noites sem fim, dançam às baixas luzes, escondem-se nas ruas desertas e não ousam ecoar, sequer, um desejo. Não querem ser escritas. E enquanto elas correm por aí, eu sigo aqui, no poço sem água da imaginação. Mas é preciso. É sabido. É entendido. Tudo faz parte do processo da vivência onde as experiências são flores colhidas em um infinito jardim. Nada é perdido. Um presente à criatividade: caminhar por seus tril...

Carta à Saudade

No emaranhado da vivência, caminhando a passos exacerbados, despedaçados, pela saudade que me alcança a cada instante, me agarra, me consome, me deita ao relento, enlaçando seus braços no meu peito. Choro por amor, choro. Por favor! Não deixe com que me consuma, com que queime o resto de pavio que guardei para sobreviver nas noites escuras de um inverno sem fim. Solidão que veste o manto negro do entardecer melancólico que entra manso pela janela do quarto, revestido de folhas, e folhas, e folhas, de um poema inacabado. Também choro pelas correntes que puseram nas minhas palavras, tímidas em grosseiro tom metálico, em que lágrimas vão enferrujando aos poucos. Nem sei mais o que são semanas ou meses; nem sei mais se existe manhã em dias de noites sem fim. Ah, saudade! Será que um dia vai me soltar? Será que um dia deixará eu caminhar sem tua presença enfadonha. Sem tua crueldade avassaladora de despedaçar-me tal como as árvores no final do outono perdendo suas folhas, uma a uma. Sabe, v...

Memórias da Estação

E agora, que tenho vivido das memórias? De dias, noites, músicas, histórias. Dão a volta, giram e a vida não para. Mas as memórias ficam e fazem morada. São as abelhas do jardim. Polinizam as flores da minha imaginação. Polinizam você no meu coração. Memórias me levam ao mar, me fazem voar, me inspiram a criar e a dizer-te: que saudade sinto dos dias que passaram; das noites quentes do verão que se prepara para partir; vem aí o outono, e tal qual as folhas dos grandes carvalhos, testemunhas do nosso encontro, as memórias ganham tonalidade amarelada, textura ressequida, verdade velada, caminhos da vida. As folhas se desprendem das árvores, dançam com o vento; memórias se desprendem da realidade e dançam com a imaginação. Brincam comigo e trazem ao cume de todos os sentidos a saudade que dilacera meus sentimentos. E que saudade! Porém posso afirmar: memórias são amigas; prefiro tê-las a não tê-las. Deixá-las livres como as folhas do outono para que se renovem na primavera. Quero ter mais...

É Domingo Outra Vez

Tudo bem se mais uma semana chega ao fim, se o domingo vagueia pelas costas do entardecer, se o coração ainda bate mais forte quando penso em você. Seria clichê falar que a vida não para para eu pensar em nós dois, e que todo o tempo do mundo é pouco para saciar o desejo de estar ao teu lado. É domingo outra vez: vida seguindo seu fluxo — menos você aqui. Por ora, só na imaginação, ou melhor, no meu coração. Planos de domingos compartilhados, de risadas divididas, de vivas vividas. Queria escutar você chegar para dizer que a janta está pronto, ou vamos sair para comer fora hoje. Queria perguntar como foi o seu dia, atentar-me aos teus sonhos e projetos, separar o momento para você, encher-te de beijos, olhar nos teus olhos, sorrir, cantar, brincar e te abraçar. Dançar ao som da chuva que cai lá fora, da música que ecoa no nosso apartamento, dançar a vida que compartilho com você. É domingo outra vez e você bate no meu peito: procuro-te mesmo não tendo o perdido. Sensação incessante de ...

Quem Ama

Eu escrevo para me conhecer, para entrar em sintonia com meu ser que grita para se expressar. Estar no ar, voar, exercer o que há de melhor em mim: amar. Linda dança de cores e formas, estar apaixonado. Como se todas as emoções dessem as mãos e cantassem aos céus suas conquistas; lagrimas que desenham os rostos, sorrisos que os modelam. Que lindo espetáculo. Amar e ser amado. Eu sou. Venci na vida. Sou amado. E amo, também. Amo muito. Enlouquecidamente. Amo amar; amo me entregar; amo confiar; amo estar; amo ser; ficar mais um pouco; demorar; imaginar; fantasiar e concretizar... Só não amo esperar. Esperar para quem ama é tortura; é caminhar sem rumo; e perder o norte mesmo se encontrando a cada batida do coração; é não saber; é ficar no escuro; é estar em apuros e criar em si armaduras pesadas. Tristeza fantasiada de paciência. Mas toda espera tem um fim. Quem ama sabe que tudo vai ficar bem; que as aves têm motivos para cantar; que as estrelas cintilam em harmonia com os versos das po...

Todos os Caminhos me Levam a Você

Digo que todos os caminhos me levam a você quando minha mente viaja pelo teu sorriso; quando me perco na profundidade de teus olhos; quando desenho teu corpo em pensamento; quando ouço tua voz dizer meu nome; quando deixa-me em estado de alento. Todos os caminhos me levam a você quando te escrevi nas páginas da minha história; quando decidi te entregar meu coração; quando os dias começaram a passar mais devagar; quando a vida ganhou novo sentido. Caminhos reais, todos corridos e percorridos, navegados e entrelaçados pelo destino que cruzou minha vida à tua. Bonitas paisagens tenho visto; inspiração para versos paralelos. Como se o sol nascesse e se pusesse, e eu seguisse caminhando sob nuvens e estrelas. A cada passo, coração mais forte; visão marejada; voz trêmula; reações do corpo por estar cada vez mais perto. Ainda que eu me perdesse, seguiria. Afinal, sentiria que todos os caminhos me levam a você.

Tela Luminosa

Forço os olhos: onde está? A tela fica cada vez menor, suposto delírio. O ambiente se apavora pela morosidade, pela incapacidade de ação, pela retrógrada dispersão. Volto mais uma vez os olhos à tela. Nenhuma mensagem. Nenhuma palavra. Simplesmente o silêncio e contemplação. Não que isso não seja normal, mas como o tempo não anda igual a quem ama, um minuto se faz em horas; horas se fazem em dias; e dias... para quem ama... se fazem em gotas d'água caindo de penhascos infinitos. Esperança de tocar o chão, tal qual esperança de tocar teu corpo, de novo. E de novo. Dessa vez sem adeus, sem até logo, sem entrada desorientada em veículos desgovernados. Somente o para sempre. É isso que eu quero. Não resumindo-me em telas luminosas, tocando-te em êxtase, sentindo-te respirar. Palavras a ecoar: ainda é cedo para levantar. No momento, a dúvida de quem vai desligar; eu ou você. Pra quê? E a tela vai ficando cada vez menor; olhos cerrando; sono chegando; vontade de um abraço sem fim; mas qu...

À Mercê

Já me sinto prisioneiro, de novo. Olho ao redor: paredes do quarto. Barulho lá fora, vida acontecendo. Eu aqui, amando sem razão — ou com milhões. Planos de uma vida ilusória — ou concretizada; ainda que em sonhos de lágrimas espelhadas em pensamentos catastróficos. Percebo estagnação, relógio que não corre mais. Vida que deixou de seguir o fluxo. Quantos dias se passaram mesmo? Poucos, se forem contados à risca. Muitos, se olharem para mim. Isso mesmo: olhem para mim. Vejam como estou! Vulnerável. À mercê. Nem pareço mais o que era antes. O que poucos dias não fazem... Vida que segue, e segue, e segue... E eu? Mais uma vez cercado pelas paredes. Ventilador ligado; livros espalhados; música a tocar. Espera constante. Ansiedade alimentada. Questionamentos surgindo: fiz a escolha certa? Era realmente eu quando agi pela emoção? Não tenho culpa se nasci no final de dezembro. Porém, de uma coisa estou certo: aprendi. E quero aprender mais. Pois a vida não é ...

Eu me Apaixonei, Mesmo

Eu me apaixonei, e vi o mundo ficar ao contrário: a noite se estendendo, o dia se encurtando, coração batendo, mente vagando... Perfume no ar, música a ecoar! Onde estão meus óculos? Nem preciso mais deles, pois só vejo com o coração. Que em movimento, firma-se em canção. Esta é a paixão que sinto, que exalo, que me embalo. Sair por aí, nadar um oceano e voar pelas estrelas. Loucura? Talvez. Só sei que não sou mais o mesmo: estou apaixonado. Tudo tem cor, movimento e ritmo. Tudo é página em branco, esperando o toque da caneta. Alegria que transborda e estoura em fogos de artifício; presente para o céu que se colore e cai em cascatas cintilantes sobre minha cabeça. Esta que perdeu a razão: vive de sentimentos. Sente a felicidade como amiga, a euforia como madrinha, a expectativa como uma tia distante prestes a chegar. O tempo virou inimigo; a distância, a pior de todas as vilãs. Mas nada supera a força gravitacional da paixão que sinto: buraco negro para o espaço-tempo: prisioneiros do ...

Ah! Como eu gostaria...

Gostaria de te oferecer o melhor de mim, e que nossas conversas nunca terminassem em noites quentes de verão. E de te ouvir sorrir como se o riso se harmonizasse com as batidas do meu coração e juntos criassem música aos nossos ouvidos. Gostaria de te sentir como uma manhã ensolarada onde houvesse um jardim com as mais belas flores; onde as aves voassem livres e cantassem com alegria; onde eu pudesse passear e contemplar cada detalhe. Gostaria de sair na chuva, me molhar, e te encontrar em meio à tempestade. De ver o amanhã como um amigo que me trouxesse um presente: sentir teus lábios se aproximando dos meus. De ver o tempo parar; de encontrar a terra girando ao contrário; de contemplar o sol se pondo no leste e a lua não minguando nunca mais. As estrelas dançariam... Os planetas? Estes se emocionariam com o lindo espetáculo. Suas lágrimas formariam cascatas de luz, e eu poderia vê-las no céu. Ah! Como eu gostaria... Gostaria, sim. De te ter em meus braços; de me encontrar em teus olh...

Eu, Mero Mortal

Cá estou eu, mais uma vez, ornamentado pelo choque da vivência, mergulhado no mais profundo do meu ser, trazendo à superfície da alma o indecifrável dom de sentir. Não estou falando de qualquer sensação, mas daquela que os livros carregam consigo nos mais preciosos versos, nas mais felizes histórias, nos mais comoventes relatos. É da saudade que não termina, do pensamento que não descansa, da vontade ininterrupta de encontrar algo... Algo? Melhor dizendo, alguém. Sim, estou falando do amor. O sentimento que inspirou inúmeros poetas, artistas, mestres a fazerem obras grandiosas, marcando seus nomes para sempre nos livros de história. Pois esse mesmo sentimento fez morada em mim, mero mortal, como se eu vivesse exclusivamente em função dele. E talvez eu viva... Pois no fundo eu quero vê-lo crescer cada vez mais. Tudo isso para entregá-lo quando chegar a hora. Entregá-lo por completo. Sem medo. Sem receio. Apenas entregá-lo. Ainda é provável que eu me pergunte: "Quem é que receberia ...