A Folha e a Lua
Talvez eu volte a contornar os meandros da lua crescente. A maravilha do céu noturno simbolizando a vinda da plenitude. Quisera eu caminhar nesse campo; uma mísera folha levada pela correnteza que por infelicidade do destino ficou agarrada nas pedras.
Se alguém com um ramo qualquer me empurrasse de volta para o curso d'água, eu voltaria a ser o navegante destemido que fui quando me desprendi da árvore. Mas contar com a boa vontade de um caminheiro despreocupado em retirar o entulho das pedras é acreditar demais em milagres. Por isso, prefiro acreditar que a lua ficará cheia algum dia; as águas do rio se levantarão e eu me soltarei dos obstáculos que me prendem aqui.
Santa ignorância; eu nem sei se rio tem maré para levantar com a força da lua. Coitado do pequeno filete que vai serpeando pela mata rasteira. É mais fácil eu acreditar na chuva torrencial do que na noite de luar. Sonho tanto com a imensidão dos oceanos que faço de conta que já estou nele. E me contento com uma bacia de água parada aquém da correnteza.
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