Um Tempo
Preciso de um tempo!
Um tempo para colocar as coisas no lugar.
A vela se apagou na correria; o sentimento desapareceu no escuro.
Tenho tateado as coisas ao meu redor e nada reconheço senão o meu próprio desespero.
O que é que eu fiz da minha vida?
Depositei muito amor onde não devia?
Apostei todas as fichas em jogo já perdido. Não houve surpresas. Eu sempre soube!
Quem mandou eu me comprometer tanto assim?! Agora devo arcar com as consequências.
O espetáculo perdeu a graça; o encanto; a magia do palco. A plateia está cansada com a mesmice dos atores insuportáveis.
Os atores, cansados com a plateia bocejante, se rebelam um contra o outro. Brigam incessantemente e saem do papel.
O palco virou uma jaula de feras e ninguém está se importando com isso.
Estou cansado. E não tenho direito de estar. É o que andam dizendo por aí.
Não sei se sou ator ou plateia. Não sei se ando no escuro porque tenho medo de ver a verdade. Não sei se devo depositar tanto empenho para colar um cristal espatifado no chão.
Estou cansado, sim. Cansado de ouvir vozes alteradas; de reprimir a minha vontade; de ceder espaço contentando-me com tão pouco; de compreender o incompreensível; de modelar um comportamento inaceitável para se aparentar mais sutil; de receber ofensas mesmo de mãos vazias, pois tudo o que eu tinha foi dado... Estou cansado de não mais poder ter um tempo só para mim, de não ter direito de desligar-me do mundo, de não ser compreendido porque existem problemas maiores.
Será que isso é amor? Um jogo de bate e rebate; uma competição para ver quem é mais sofredor; um espetáculo entre saber quem é que faz mais pelo outro ou qual vida foi mais reprimida em função do relacionamento.
Pois é! E ainda assim eu me pergunto: por que a vela se apagou?
A carga está pesada demais. Eu já cheguei ao meu limite.
Sinto falta de uma liberdade latente. De um vento leve correndo pelos dias sem fim.
O peso das palavras tem tirado tudo de mim: minha paz, minha vida, minhas oportunidades e o meu amor.
Talvez seja melhor eu sair de cena.
Se não quiserem fechar as cortinas, sairei pelo alçapão rastejando-me por debaixo do palco. Encontrarei a porta atrás do teatro e fugirei para não ser encontrado.
Serei acolhido pelas estrelas, pelo sereno e pelo abraço da noite que me reconfigurará na essência.
Tenho vontade de vestir mais uma vez o manto da liberdade que perdi e arrebentar as correntes que me prendem no mesmo lugar.
Por isso preciso de um tempo. Para tirar de mim qualquer culpa que me fustiga como se eu fosse o vilão da história.
Acontece que não há história. Ela não foi escrita.
E enquanto houver cobranças por uma vírgula sequer, a história não existirá. E os sentimentos permanecerão perdidos!
Um tempo para colocar as coisas no lugar.
A vela se apagou na correria; o sentimento desapareceu no escuro.
Tenho tateado as coisas ao meu redor e nada reconheço senão o meu próprio desespero.
O que é que eu fiz da minha vida?
Depositei muito amor onde não devia?
Apostei todas as fichas em jogo já perdido. Não houve surpresas. Eu sempre soube!
Quem mandou eu me comprometer tanto assim?! Agora devo arcar com as consequências.
O espetáculo perdeu a graça; o encanto; a magia do palco. A plateia está cansada com a mesmice dos atores insuportáveis.
Os atores, cansados com a plateia bocejante, se rebelam um contra o outro. Brigam incessantemente e saem do papel.
O palco virou uma jaula de feras e ninguém está se importando com isso.
Estou cansado. E não tenho direito de estar. É o que andam dizendo por aí.
Não sei se sou ator ou plateia. Não sei se ando no escuro porque tenho medo de ver a verdade. Não sei se devo depositar tanto empenho para colar um cristal espatifado no chão.
Estou cansado, sim. Cansado de ouvir vozes alteradas; de reprimir a minha vontade; de ceder espaço contentando-me com tão pouco; de compreender o incompreensível; de modelar um comportamento inaceitável para se aparentar mais sutil; de receber ofensas mesmo de mãos vazias, pois tudo o que eu tinha foi dado... Estou cansado de não mais poder ter um tempo só para mim, de não ter direito de desligar-me do mundo, de não ser compreendido porque existem problemas maiores.
Será que isso é amor? Um jogo de bate e rebate; uma competição para ver quem é mais sofredor; um espetáculo entre saber quem é que faz mais pelo outro ou qual vida foi mais reprimida em função do relacionamento.
Pois é! E ainda assim eu me pergunto: por que a vela se apagou?
A carga está pesada demais. Eu já cheguei ao meu limite.
Sinto falta de uma liberdade latente. De um vento leve correndo pelos dias sem fim.
O peso das palavras tem tirado tudo de mim: minha paz, minha vida, minhas oportunidades e o meu amor.
Talvez seja melhor eu sair de cena.
Se não quiserem fechar as cortinas, sairei pelo alçapão rastejando-me por debaixo do palco. Encontrarei a porta atrás do teatro e fugirei para não ser encontrado.
Serei acolhido pelas estrelas, pelo sereno e pelo abraço da noite que me reconfigurará na essência.
Tenho vontade de vestir mais uma vez o manto da liberdade que perdi e arrebentar as correntes que me prendem no mesmo lugar.
Por isso preciso de um tempo. Para tirar de mim qualquer culpa que me fustiga como se eu fosse o vilão da história.
Acontece que não há história. Ela não foi escrita.
E enquanto houver cobranças por uma vírgula sequer, a história não existirá. E os sentimentos permanecerão perdidos!
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