Semente em Terra Batida
Acho que esse espaço já não me cabe mais. Evoluí de semente a ramo. E brotei de uma terra batida, muito difícil de ser perfurada. Será mesmo? Às vezes me pergunto se consegui brotar ou se ainda permaneço semente. Havia refletido sobre o interstício das fases. O que há no meio da mudança é o elemento primordial para saber que tipo de ramo serei. Então ainda não sou.
Pois é. Permaneço semente buscando nas entranhas do subsolo os nutrientes para resplandecer no ar que circunda a natureza da qual faço parte. No ar? Agora surgiram outras perguntas: será que serei árvore tão alta a ponto de ser morada das aves? Ou serei uma grama rasteira para as formigas construírem seus formigueiros e deles fazerem montanhas em seu minúsculo horizonte? Isso só depende de mim, mas tenho tanto medo.
Queria mudar de assunto e voltar ao espaço que já não me cabe. Sabe por quê? Porque me sinto sufocado, sem janelas para contemplar paisagens. A verdade é que o espaço ainda me cabe, porém me acostumei mal. Construí em meu interior algo que não posso ter nas mãos. Vi paisagens belíssimas e eremitérios nos quais queria viver. Mas como? Fui tão mesquinho ao deixar minha imaginação livre que ela se iludiu pelas veredas da fantasia. Quis naturalizar-se nas paisagens verdejantes enquanto mantinha meus olhos fechados. O problema veio quando eu os abri.
Vi o quarto. A poeira. As traças roendo os papéis... O eremitério se transformou numa rua barulhenta e as paisagens belíssimas numa hera minguada querendo dominar um muro úmido e frio. Ah, Filipe. O que dói é saber que você tinha tudo nas mãos. Mas jogou fora como quem amassa uma folha e a arremessa no lixo. Você se esqueceu que nessa folha continha a história mais poética que você poderia contar.
O que houve, meu caro? Por um instante perdeu a razão? Pois foi nesse instante que você deixou a correnteza levar os seus sonhos. E agora tem de se resumir a ser uma semente com medo de brotar.
Tenha calma. Ainda há chances de você escrever novas histórias e semear novos sonhos. Veja pelo lado bom: ser semente te dá a possibilidade de ser uma floresta. Você sabe o caminho. E só precisa caminhar.
Agora vamos falar sério. Não que antes não fosse tão sério, mas agora além da seriedade é preciso ter discernimento. O mundo nos apresenta energias as quais podemos absorver. Você escolhe que tipo de energia irá levar consigo. Não seja uma esponja que tudo absorve. Saiba diferenciar o joio do trigo e aprimore o crivo de suas ideias. A necessidade de se reconhecer como ser independente e individual é fundamental. Não segure peso que não te pertence. Do contrário, jamais será uma floresta.
Então vamos lá: lance as folhas rasgadas e recomece a escrever. Você tem tempo e espaço. E sobretudo luz que ilumina sua razão. Não deixe o desamparo te dominar porque a terra é batida demais. O relógio está a seu favor e antes das tempestades veremos o verde brotar dos grotões de suas veredas.
Pois é. Permaneço semente buscando nas entranhas do subsolo os nutrientes para resplandecer no ar que circunda a natureza da qual faço parte. No ar? Agora surgiram outras perguntas: será que serei árvore tão alta a ponto de ser morada das aves? Ou serei uma grama rasteira para as formigas construírem seus formigueiros e deles fazerem montanhas em seu minúsculo horizonte? Isso só depende de mim, mas tenho tanto medo.
Queria mudar de assunto e voltar ao espaço que já não me cabe. Sabe por quê? Porque me sinto sufocado, sem janelas para contemplar paisagens. A verdade é que o espaço ainda me cabe, porém me acostumei mal. Construí em meu interior algo que não posso ter nas mãos. Vi paisagens belíssimas e eremitérios nos quais queria viver. Mas como? Fui tão mesquinho ao deixar minha imaginação livre que ela se iludiu pelas veredas da fantasia. Quis naturalizar-se nas paisagens verdejantes enquanto mantinha meus olhos fechados. O problema veio quando eu os abri.
Vi o quarto. A poeira. As traças roendo os papéis... O eremitério se transformou numa rua barulhenta e as paisagens belíssimas numa hera minguada querendo dominar um muro úmido e frio. Ah, Filipe. O que dói é saber que você tinha tudo nas mãos. Mas jogou fora como quem amassa uma folha e a arremessa no lixo. Você se esqueceu que nessa folha continha a história mais poética que você poderia contar.
O que houve, meu caro? Por um instante perdeu a razão? Pois foi nesse instante que você deixou a correnteza levar os seus sonhos. E agora tem de se resumir a ser uma semente com medo de brotar.
Tenha calma. Ainda há chances de você escrever novas histórias e semear novos sonhos. Veja pelo lado bom: ser semente te dá a possibilidade de ser uma floresta. Você sabe o caminho. E só precisa caminhar.
Agora vamos falar sério. Não que antes não fosse tão sério, mas agora além da seriedade é preciso ter discernimento. O mundo nos apresenta energias as quais podemos absorver. Você escolhe que tipo de energia irá levar consigo. Não seja uma esponja que tudo absorve. Saiba diferenciar o joio do trigo e aprimore o crivo de suas ideias. A necessidade de se reconhecer como ser independente e individual é fundamental. Não segure peso que não te pertence. Do contrário, jamais será uma floresta.
Então vamos lá: lance as folhas rasgadas e recomece a escrever. Você tem tempo e espaço. E sobretudo luz que ilumina sua razão. Não deixe o desamparo te dominar porque a terra é batida demais. O relógio está a seu favor e antes das tempestades veremos o verde brotar dos grotões de suas veredas.
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