Para o meu Bel-Prazer

Tenho conseguido esvaziar minha mente com maior facilidade. Ao mesmo tempo, ela tem enchido facilmente às vezes, tornando-se uma represa ora com escoamento, ora sem. Principio de loucura, talvez; depois de tanto meditar sobre o espaço em que me encontro, ele voltou a me espremer nas entranhas da essência que vem ficando sem lugar, mais uma vez.
Acho que cheguei numa fase difícil de aprendizado e evolução. Depois de ter entregado tudo, o que sobra? Não há mais nada para eu entregar, e é nesse vazio que as cicatrizes têm doído. O quarto tornou-se escuro, empoeirado e esquecido. Os pensamentos também. O quarto é minha mente; os pensamentos, minha fraqueza.
Tornei-me chato, ranzinza e sistemático assim como o esboço que mais me causava repulsa. E foi nessa tentativa de não ser que acabei sendo. Foi na fuga que eu me perdi. Nos degraus que negligenciei, nos papéis que rasguei, nas janelas que não abri e nos ares que não respirei. Tranquei-me para o mundo sem saber que estava do lado de fora. Fiquei preso de onde eu mais queria sair. E tive de me readaptar às circunstâncias.
Agora que escrevi, parece que tudo faz sentido. Mas depois de tanto caminhar nas veredas das histórias preciosas, o que eu faço com as minhas tão mesquinhas e rarefeitas? Devo rasgá-las? É melhor deixá-las dentro de uma gaveta e esquecer das linhas inconstantes por ora. Aceito que não sou um bom escritor e faço mau uso das palavras para o meu bel-prazer.
Não obstante, no fim acabo escrevendo não como um qualquer, mas como um ser descrente do reconhecimento pelos passos dados. Escrevi para as estátuas quebradas de um exército petrificado, para os amantes que não conhecem o amor, para as aves que não voaram, para as flores que não desabrocharam... Frutas caídas, calçadas vazias, dias nebulosos sem chuva, verões mal aproveitados, livros não entendidos, histórias não terminadas, horas jogadas fora, espirros consecutivos, cansaços mentais, falta do verde lá fora e saudade não sentida. Eu escrevo... Para mim mesmo! 

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