Os Nós da Escrita

Eu não sei construir personagens porque não construí eu mesmo quando tive os artefatos para montar o quebra-cabeça. Chutei as peças para debaixo dos móveis e elas se perderam com o tempo. Misturaram-se com a poeira e foram varridas.

Tudo se torna raso na minha mente, como a paisagem vista da janela de um carro extremamente acelerado. Um exímio borrão. Misturando as cores e confundindo minha cabeça com os riscos cortantes de luz que atravessam os pensamentos.

Percebi que não sei escrever. Vi minhas velhas histórias e achei todas banais. Todas buscando alimentar o ego e nenhuma exprimindo a verdade do artista fajuto que se esconde por detrás dos panos. Mas aqui farei a verdade reinar!

A verdade é que só penso no sucesso; nos aplausos; na glória e no prestígio. Ao mesmo tempo em que sei que tudo isso não passa de ilusão. A balança não equilibra os pratos e eu não consigo me decidir. Já quis escrever para ser ovacionado e deixei os sentimentos passarem em branco nas noites de insônia por preguiça de mexer com as palavras. Acontece que nunca sequer recebi uma palma por qualquer frase formulada; todavia os sentimentos voltaram trazendo os nós a serem desfeitos pela escrita.

Eu nunca parei de escrever. Mesmo achando que faço isso mal. Porque no fim das contas o que vale é a sanidade da mente, e nisso a escrita me ajuda. O fato de eu não saber construir personagens reflete a minha vivência superficial e indiferente.

Preciso aprender a amar aquilo que crio, então poderei criar por amor. No momento não sou digno de fazer isso, pois este mesmo amor tem muitas facetas das quais não tenho conhecimento. Até eu decifrar essa esfinge sentimental, continuarei apenas com fragmentos de um cotidiano normal tentando encontrar preciosidade nas horas vagas.

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