Ondas Gigantes do Ar

Então me diz: quantas histórias eu vi?

Quero que saiba enfim: eu não sou ninguém.

Alguém... A esperançar o amor acontecer. O sonho de viver.

Perdi minhas vestes no vendaval, caminhei sem pensar nas pedras do mar.

Ondas de cor e luz, batendo na costa do ser que conduz

Uma cantiga aos navegantes do íntimo infinito que se propagou

Nas mentes pequenas do interior, que viam no quintal o seu mundo ideal

E nada da imensidão. Por isso eu trago uma canção tão simples

Que nenhuma lágrima faz escorrer, ou cascata aparecer...

Quem dirá que com o mar poderá o meu pranto competir?

Eu sou do interior, de onde as ondas não vão.

Aqui o sal não tem razão, diante do verde dos montes

Que se precipitam ao coração

De quem criou raízes nas minas gerais,

De portos sem iguais.

Eu não sinto mais falta do mar, pois o mar está dentro de mim,

Nas pontas de areias dos cafezais, dos minérios e estradas reais.

Eu não sou mais aquela solidão, que ia e vinha nas noites do campo

Chorando as dores do mundo que meus olhos jamais avistaram.

Eu vejo o meu riso no leito de um rio de águas tranquilas e cristalinas,

Descendo as montanhas de ondas do mar, que um dia disseram tocar.

Ouvi histórias de navegantes bravios e ociosos em suas embarcações.

O vento que sopra aqui é outro, e eu não posso negar.

Aqueles das praias do mar não viram setembro chegar

Trazendo suas lindas palavras nos ipês carregados de flor,

Pela magia do sonho contrastada em sibilos da cor

Que contorna a natureza nos matizes do sol da esperança,

Deixando nas profundezas os medos e inseguranças.

Por isso eu digo que aqui também tem histórias do mar.

Pois quando subo nos montes, eu vejo as ondas gigantes do ar.

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