Terra Dura
Seria tudo em vão? Estratégia de achar respostas na aridez
Ou de extrair uma joia do leito de um pântano sujo
Não leva sentimento consigo.
Tudo é querer palavrear a
verbosidade ardilosa,
Que rasteja buscando os tesouros do sertão
Já tão seco, tão carente, tão sonhador;
Descobrindo chuva no subsolo porque no céu a esperança se
foi.
Triste fim perder a esperança no céu; o que resta de nós
agora?
O cântico de lamentos rasgando noites estreladas;
O trabalho braçal dos dias de sol impiedoso,
Queimando viva a
delicadeza que pudesse existir
Nas estranhas de uma horta mirrada, quase morta,
Ou nas mãos de quem a tivesse plantado.
Sobrou apenas a brutalidade.
Não seria ela uma forma gentil de levar a vida?
Para quem gerou raízes profundas e sobreviveu à seca,
A brutalidade se tornou necessidade.
A terra era dura
demais.
Não havia água que pudesse gotejar as lágrimas;
E ninguém mais soube da existência dos pântanos
Que
supostamente carregavam as joias.
Mas joias?
O que são joias senão farelo para dar de comer ao
rebanho?
Muito mais valem as pencas da bananeira, as frutas da
laranjeira;
Deixem as joias para quem necessita de luz;
Nós já temos a nossa alma iluminada.
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