Depois para Depois

As pedrinhas que adornam meu quarto nunca foram tão coloridas. A impressora nunca teve tanta serventia. As canetas que estão paradas no pote... Apesar de muito querer produzir. Pois é, este é mais um relato da mesmice.

Nada de poesia por aqui. Apenas algo corrido numa estrada sem asfalto. Talvez eu esteja escrevendo só para provar para mim mesmo que não perdi a capacidade de escrever. É mole?! Agora que estou mais visível, tenho medo de perder a verdade.

Como se ela fosse algo perdível. Mas não. Uma vez semeada, espero que ninguém a arranque. A verdade! Vamos ver: o que eu posso fazer hoje? Tenho como opção estudar, terminar de ler meu livro, começar escrevendo a história que tem martelado na minha cabeça... Muitas opções.

Mas antes de fazer tudo isso eu gostaria de dividir algo que eu percebi ontem dentro de mim. Algo que eu não sei explicar muito bem. Porém, depois de tomar conhecimento de um verso de Adélia Prado que dizia algo do tipo: quando formos tocar uma alma humana, que sejamos uma alma humana, muita coisa mudou. De uma hora para outra.

O verso me tocou intimamente. E durante muito tempo eu fiquei refletindo sobre ele. Descobri que este é o meu problema. Eu não busco o meu lado humano para tocar as pessoas. Agora caminho desolado e ironicamente amparado pela visão à frente. Não deixou de ser bonita em nenhum momento. Ainda bem que eu li esse poema.

Hoje as palavras estão escassas, seu sei. Estou com medo de algo que não sei o que é. Estou sentindo um frio que vem de dentro para fora. Um disfarce para a vergonha, quem sabe. Mas seguirei. Por incrível que pareça, o livro que estou lendo é Macunaíma. E tenho descoberto um Brasil plural e confuso na história. Nos próximos minutos estarei com ele de companhia. Depois, vamos ver; deixarei o depois para depois.

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