Diálogos e Prioridades
Uma música é soada na vizinhança e eu me pego pensando: “Que bom que as pessoas têm motivo para festejar!” Em tempos de crise e aumentos de preços, é raro ver gente festejando aos finais de semana. Mas a exceção se encontra aqui, perfurando os ditames da loucura alheia.
O barulho não me incomoda mais; é como se acontecesse em
outra dimensão, fora dos limites da que vivo ultimamente. Três metros quadrados
de reflexão, introspecção e aperfeiçoamento das virtudes que me fazem humano. E
humano é o que busco ser cada vez mais. Se outrora a humanidade tinha como meta
a sobrevivência, hoje é se descobrir sobrevivente e o que fazer disso. Pois
bem; ontem me foi revelado em segredo uma nova faceta dessa pedra preciosa que
é o autoconhecimento.
De certo, pegava-me pensamento em excesso e, por incrível
que pareça, não sabia em quê. Depois de tanto meditar sobre os caminhos que pudessem
me livrar da autossabotagem, a mesma ganhou outros moldes e se camuflou na
minha cabeça. Os pensamentos iam e vinham, e eu era incapaz de perceber o que
de fato estava acontecendo. Daí, o espelho se quebrou e nos pedaços que se formaram eu pude ver a verdade: o raciocínio se dava em diálogos e prioridades.
Sim, duas coisas avulsas e discrepantes: diálogos não
presenciados e prioridades ultrapassadas. A minha imaginação usava toda sua
força para formular essas vertentes que faziam morada em minha mente, tornando-me
cansado e desmotivado para aprender coisas novas. E agora chego a uma etapa
difícil da evolução que venho buscando. Como desfazer os diálogos e atualizar
as prioridades? A conversa tem de cessar e as metas têm de se lapidar. Não posso
continuar nesse limbo de incertezas do passado que nunca chega ao presente,
tampouco posso ir além e me desprender num futuro devastado.
Preciso aprender a gerar minhas próprias palavras focando no
protagonista que é o autor e não nos personagens inexistentes. Fazer como minha
prioridade quem escreve e não quem é escrito. Só assim reconhecerei a verdade
por detrás dos pensamentos baldios. Eles precisam sair da minha cabeça.
A música continua lá fora sem me incomodar. O barulho
externo não vem de mim, portanto não me atinge. O que me atinge são as ideias
ilusórias que criei com o tempo, tornando-as verdades absolutas, e me ferrei
nos pormenores. Foram criadas de dentro para fora e me consumiram no íntimo. Faltou
controle ou maturidade, é claro. De qualquer forma, sigo no compasso da despretensão do
acúmulo de qualquer coisa que venha pesar minha vida. Ela já está pesada demais
e, no momento atual, o que eu preciso é aprender a abrir as janelas da alma
para jogar fora o sobressalente.
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