Falha de Suas Paredes
Uma página; uma história; um sentimento; um caminho; uma ação.
Estou cheio de “umas” coisas.
Umas daqui, outras dali.
Ao todo, tenho um monte.
“Um” monte. De coisas jogadas, desorganizadas, esperando serem postas no lugar.
Agora eu desenvolvo o texto: que lugar é esse dos mil “uns”?
Um quarto trancado, empoeirado, com ares de outras histórias. Como se um vendaval tivesse passado por lá, tirando tudo do lugar. O quarto perdeu as paredes, o espaço, a forma, mas permaneceu existindo depois da ventania. A essência continuou. E a metafísica o denominou de quarto dos pensamentos livres, desobedientes, rebeldes e orgulhosos. Todos habitavam o espaço outrora delimitado que sucumbiu.
Vamos falar a verdade: os ares não mudaram no quarto mesmo depois de sua ruína porque ele já estava uma bagunça mesmo antes de vir abaixo. E se hoje existe “um” monte de coisas jogadas ao chão por falta de parede, antes havia “um” monte de coisas abarrotadas em um pequeno espaço abafado. É cômodo sempre botar a culpa nos vendavais; poucos assumem as falhas de suas paredes.
As coisas estão no chão porque não foram acostumadas com a liberdade. Ninguém as ensinou a serem livres. Prelúdio de liberdade só é bem-vindo de quem tem asas. Quem criou raízes nos limiares de “um” monte de coisas, não tem autonomia para cobrar aquilo que nunca possuiu. E digo que a maioria prefere se esconder nas cavernas e galerias desse monte que se precipita cada vez mais.
Pois bem! Este é o lugar. Mas não estou nele. Olho a bagunça de fora e penso: “Como é que eu fiquei aí por tanto tempo?” A gente de fato não sabe que os conceitos de posse e os delírios sentimentais somam tanto ao ponto de formarem próprias montanhas. Ilusão em cima de ilusão. É melhor não ter nada, mas contemplar um jardim, do que ter tudo e viver na escuridão.
Estou cheio de “umas” coisas.
Umas daqui, outras dali.
Ao todo, tenho um monte.
“Um” monte. De coisas jogadas, desorganizadas, esperando serem postas no lugar.
Agora eu desenvolvo o texto: que lugar é esse dos mil “uns”?
Um quarto trancado, empoeirado, com ares de outras histórias. Como se um vendaval tivesse passado por lá, tirando tudo do lugar. O quarto perdeu as paredes, o espaço, a forma, mas permaneceu existindo depois da ventania. A essência continuou. E a metafísica o denominou de quarto dos pensamentos livres, desobedientes, rebeldes e orgulhosos. Todos habitavam o espaço outrora delimitado que sucumbiu.
Vamos falar a verdade: os ares não mudaram no quarto mesmo depois de sua ruína porque ele já estava uma bagunça mesmo antes de vir abaixo. E se hoje existe “um” monte de coisas jogadas ao chão por falta de parede, antes havia “um” monte de coisas abarrotadas em um pequeno espaço abafado. É cômodo sempre botar a culpa nos vendavais; poucos assumem as falhas de suas paredes.
As coisas estão no chão porque não foram acostumadas com a liberdade. Ninguém as ensinou a serem livres. Prelúdio de liberdade só é bem-vindo de quem tem asas. Quem criou raízes nos limiares de “um” monte de coisas, não tem autonomia para cobrar aquilo que nunca possuiu. E digo que a maioria prefere se esconder nas cavernas e galerias desse monte que se precipita cada vez mais.
Pois bem! Este é o lugar. Mas não estou nele. Olho a bagunça de fora e penso: “Como é que eu fiquei aí por tanto tempo?” A gente de fato não sabe que os conceitos de posse e os delírios sentimentais somam tanto ao ponto de formarem próprias montanhas. Ilusão em cima de ilusão. É melhor não ter nada, mas contemplar um jardim, do que ter tudo e viver na escuridão.
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