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Mostrando postagens de 2018

Reflexão das Aves e Suas Memórias

Foi contemplando o céu nublado da minha linda cidade natal, que pude recordar-me de um antigo conto muito presente em livros de páginas amareladas. “Onde estão as aves do céu?”, pensei. Tão logo me veio à mente o relato de Esopo sobre o tempo em que houve uma convulsão entre todos os habitantes do ar. Em decorrência, surgiu uma ferrenha discórdia entre as aves. Não que o episódio viesse dos pássaros primaveris, que viviam em comunhão nos mais belos jardins, ocultando-se às ramagens e despertando com seus gorjeios o amor em nossas almas. Esses, segundo o fabulista, eram “os litigantes membros da comunidade volátil que cedia seus representantes para voarem pelos ares levando a carruagem das virtudes”. Quem se entregava à confusão eram os abutres que, com seus bicos retorcidos e garras afiadas, disputavam os restos mortais de um cão. Não houve exagero quando Esopo mencionou o derramamento de sangue. De fato, isso ocorreu copiosamente. O fato é que os abutres guerreavam entre si a p...

O Caminho ao Silêncio

Um dos primeiros textos que escrevi e publiquei abordava a influência que o silêncio desempenhava em minha vida e o esforço que fazia para aplicá-lo em meu cotidiano. Sim! Até hoje estou no processo. Falo isso pois há pouco tempo transcorri uma carta ao eremita que habita em mim. Felizes são aqueles que conseguem aquietar a mente sem perder a capacidade de raciocinar, pois muitos pensam que deixar a cabeça em silêncio diz respeito a não pensar em nada. Estão errados. O silêncio da mente está conectado à paz que cultivamos em nosso íntimo, desprendendo-nos de tudo aquilo que não vale a pena preocuparmos. São as ilusões as culpadas da incapacidade de se transformar a consciência em um eremitério. Brotam como erva daninha em solo fértil. Sem a nossa permissão. Eu, por exemplo, jamais fui de cultivar ilusões para roubarem a vitalidade criativa e lógica que me conecta ao estado de perfeita concentração, todavia, às vezes, elas aparecem disfarçadas fazendo-me cair em suas armadilhas. As cons...

Contrastes das Tardes de Verão

Pude me atentar mais ao canto das aves hoje, resultado da minha reflexão no parapeito da janela. Observei como elas se comunicam entre si, ora cantando em piados, ora chilreando uma com as outras; sempre emitindo um som que se rompe aos ecos na brisa gentil. Nem ousei em me perguntar o que será que tentam dizer, recolhendo-me na posição de contemplador desse espetáculo de sonância. E o dia ajudou: azul celeste no céu sem nuvens. Depois de um período acinzentado de chuva, as cores da natureza se realçaram, e, com elas, as melodias dos emplumados cantantes voláteis. Como sou privilegiado em ter uma visão da mata atlântica, ainda em sua originalidade, diretamente da minha janela. Todos os dias tento descobri algo novo; desde as tonalidades do verde, até as formas das folhas das árvores. Hoje, em especial, as aves reinaram. Talvez seja pela alegria de rever o sol. Estou escrevendo quase às 18:00h do horário de verão e elas ainda continuam no gorjeio memorável. A tarde parece não ter ...

Uma Chuva de Artigos Programados

Nunca pensei que fosse capaz de programar artigos para serem publicados depois de um tempo. Isso porque assim que eles vêm à mente, fazendo suas coreografias literárias, sinto a necessidade de expô-los o quanto antes. Porém, dessa vez, as coisas caminharam diferente e, durante os próximos três meses, consegui organizar uma coletânea de textos que serão publicados aos poucos. Intitulada de Lições do Chamado (LDC), a obra foi dividida em 22 partes com o intuito de serem publicados dois escritos por semana até o final de janeiro de 2019. Tal feito não exclui a possibilidade de eu escrever outras crônicas paralelas à série, que, em síntese, abordará uma experiência espiritual que se iniciou no ano de 2017. Poderei dividir a minha visão sobre o chamado de Deus com qualquer um que, por ventura, apresentar-se no Penasso Cronista, bem como minhas respostas perante às indagações recorrentes. Durante o período abordado, tracei um caminho de fé que gerou bons frutos. Não poderia guardar a exp...

A Migração dos Textos Desorientados

Desde quando passei a escrever regularmente as peripécias que iam e vinham no meu imaginário, precisei fazer algumas alterações no espaço onde as redigia. Tudo começou com o Penasso Poliglota, cujo propósito inicial era acompanhar meu desenvolvimento no estudo do italiano e francês que vinha me dedicando àquela época. Logo na primeira semana, iniciei um processo diário onde tentava relatar algo com o intuito de treinar minha capacidade de escrever, contudo o nome da plataforma só foi alterado para Penasso Cronista alguns meses após eu notar que os textos publicados não tinham nada a ver com o estudo de idiomas. Passei a escrever memórias, reflexões, contos, acontecimentos e tudo mais que se enraizava em meu raciocínio e tentava florescer em parágrafos curtos de um texto qualquer. Deu certo! As redações estavam em seu devido lugar, paralelas às resenhas do Pena Pensante, onde o conteúdo é mais formal e informativo. Mas havia algo que ainda estava sendo um empecilho para mim: todos os ...

As Nuvens Passageiras e a Estrela Solitária

Quando a noite chegou trazendo seu manto caliginoso e a brisa entrou pela janela renovando o ambiente, senti a necessidade de aquietar a mente. Eram pensamentos correndo de lá pra cá, trazendo ideias, reflexões, perguntas, respostas e sentidos para um complexo fluxo de raciocínio. "Vamos lá, mente; vamos nos acalmar e elevar os pensamentos ao céu", pensei. Sempre era interrompido por reminiscências. A fantasia ganhava asas e voava alegremente, ultrapassando os limites da criatividade. "Meu Deus, quantos devaneios!". Ainda que o ambiente me favorecesse, precisei de alguns minutos para chegar no estado de atenção desejado. Abri as janelas da sala, olhei para o céu e vi uma estrela solitária. Julguei o espetáculo digno de uma oração. Apanhei meu rosário e sentei-me onde a vista dava à noite altiva e pacífica, tal como a senhora dos romances de outrora. Sexta-fera; dia em que se contempla os mistérios dolorosos. "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Prof...

Mais Dois Dedos de Prosa com Sr. Bill

Com quase dois anos de idade, Sr. Bill resolveu se aposentar do cargo de inspetor de qualidade das análises literárias feitas no Pena Pensante. Contudo, o mesmo não perdeu sua veia artística canina. "Lembro-me da fábula do leão e as pinturas que havia me contado há algum tempo", falei. "Teria outra que gostaria de compartilhar comigo?" Sentei-me ao seu lado e o esperei se aproximar. Enfim, comentou que em um de seus devaneios por entre as linhas de exemplares empoeirados, um corvo estava pousado em uma árvore, com um queijo no bico. Atraído pelo cheiro, a raposa aproximou-se e disse-lhe em tom lisonjeiro: "Bom dia, meu caro senhor corvo! Como o senhor é belo! Como são lindas suas penas, e que brilho têm! Se tiver a voz maviosa na proporção da grande beleza da plumagem, sem dúvida será a fênix destas florestas!" O corvo, ao ouvir a lisonja, não coube em si de tanta vaidade. E, para mostrar a magnífica voz que então julgou possuir, abriu o bico e...

Ao Eremita que Habita em Mim

Caríssimo eremita, venho expressar minha gratidão por se fazer presente em minha vida. Sabemos que o silêncio é uma virtude preciosíssima e que nem sempre consigo lhe conceder na abundância que merece. Porém, é capaz de compreender o meu esforço, pois também se esforça junto a mim. Eu, que ainda trago os sonhos da primavera da vida, sinto-me honrado por ter um ser que esbanja sabedoria ao meu lado. Contudo, apresento sérias dificuldades em lhe dar voz. Ainda que a mesma não seja um problema, já que o senhor não expõe necessidade de falar. Talvez a tribulação esteja no ato de dar vez ao invés de vozes ecoadas aos quatro cantos. Se tem algo que me ensinara, foi o fato de que quase ninguém está disposto a ouvir, mas somente falar, e falar, e falar... Chega de falas! Chega de diálogos vazios, de opiniões, de afirmações, de questionamentos abstratos que não levam a lugar algum. Esta carta é para que não desista de me ensinar a ouvir os outros, de compreender o sentido do vento e de dar ...

Conceito de Surpresa: Um Prato de Estrogonofe

Estava refletindo mais cedo sobre o conceito de surpresa; algo que explode seus contrastes sentimentais em nosso ser, despertando sensações repentinas e inesperadas. Tudo isso em razão de um prato de estrogonofe materializado sem explicações na noite anterior! Não, amigos, não estou falando de milagre ou feito sobrenatural, mas sim da probabilidade de algo fortuito acontecer. Já havia escutado relatos de pessoas que ganhavam cupons promocionais em determinados produtos ou serviços. Para mim, não se passava de lenda. Ontem à noite já havia concluído meus afazeres literários, esquentado a comida e jantado na própria panela — tudo para não sujar mais um prato. Escovei os dentes, enchi a garrafa de água, abri o notebook para ler alguns artigos e deixei o celular ao lado. Terça-feira, dia de MasterChef. Ainda que eu não cozinhe nada, gosto de ver a criatividade dos cozinheiros em seu local de trabalho. Na minha cabeça passava a seguinte sentença: "O que comerei enquanto assisto ao prog...

Os Livros que Falam Comigo

Vejam só que curioso: passaram-se os dias, as semanas... E eu vivia com meu escritor morto dentro de mim. Algo um tanto quanto estranho, pois ainda morava com os livros que clamavam por suas leituras. Era como se o leitor chorasse pelo autor falecido. Poesia? Nenhuma... Tudo corrido, tudo normal, tudo sabático. Mas nesse tempo algo aconteceu. Os livros permaneceram ali, na mesa, empilhados aos montes esperando uma decisão minha. Apenas com meus olhos virados para suas capas, sem abri-las, eles sabiam que eu exista, assim como também sabia deles, mas sem ter nada para oferecê-los. Nem sequer o tempo que usufruía despreocupado. Eles, por sua vez, tinham o mundo a me oferecer. E eu negava. E negava a mim mesmo também: o leitor assíduo em sua hibernação. E onde estava o escritor? Morto! A morte do cronista, como já havia mencionado, ocorrida de forma tão sutil e silenciosa exprime a ideia de que as Parcas, ao cortarem o fio, devam utilizar uma tesoura de ouro. E lá se vai outra vez... Na c...

A Rua Onde Cresci

Revendo algumas fotos antigas, pude perceber o quanto eu tive uma infância privilegiada. Recordei-me da escola e das festas juninas que participava. Em uma delas, até vó Zulmira estava presente para me ver dançar a quadrilha. Devia ter uns seis anos; os quais compunham toda minha existência estendida em brincadeiras, desenhos animados, bolinhos de chuva, minha coleção invejável de animais de plástico, o contato com a natureza e a liberdade que só as crianças que crescem no interior possuem. Até as árvores da rua onde morava ganharam formas especiais em minha memória. Hoje elas não mais existem; o lugar está mudado e as crianças que brincam na mesma calçada onde brinquei não sabem como era há vinte anos. Não viram o banco de madeira; a velha casa assombrada; o lado arborizado da via; os carrinhos de picolé que passavam aos domingos; a laranjeira no quintal da vizinha; o pé de acerola que invadia a passagem; o aterro das galinhas; o silêncio perdido nas tardes de verão... A rua se transf...

Entre a Seriedade e a Comicidade

Além de tudo, meu humor costuma variar do sério ao cômico em grandes proporções. Lembro-me de uma conversa descontraída onde era cabível um tom jocoso, cujo riso fazia-se presente. Momentos depois, já estava adornado com o manto da seriedade. É importante ressaltar que isso não me faz bipolar, mas alguém que sabe dosar o humor necessário para determinada circunstância. Acredito que seja importante levar a vida despreocupado, oscilando as emoções de acordo com o que é vivido. Na hora de rir, rio como ninguém. Para um contador de estórias, o riso é combustível; algo precioso que inunda o ser de graça e eterniza o momento. Rir é dom, é força motivadora para prosseguir, é ave que voa numa tarde de verão. Mas é preciso se atentar. O mesmo finda-se nos temores e anseios. A hora de chorar às vezes vem e sobrepõe-se ao riso com seu peso exorbitante. Nasce a compaixão de sofrer por mim e pelo próximo que divide sua carga. A seriedade empática toma conta num laço apertado, e logo tento desatar o...

O Medo de se Abrir Uma Porta

É engraçado perceber a vontade que eu tenho de escrever sem ao menos saber o quê. Como uma terapia onde se busca a compreensão de algo, mas que não se entende o processo. Por várias vezes, iniciei um texto e o apaguei na segunda linha. Talvez seja por receio à exposição ou simplesmente pela forma condutora das palavras. Assim, chego a passar semanas sem produzir. Isso vale também ao Pena Pensante, cujos livros ficam estacionados na estante sem previsão para serem resenhados. O artigo que publiquei há alguns dias, intitulado de O Campo Cinzento das Palavras, diz respeito a isto. Como pode existir períodos de aridez extrema na mente, tal como a estação da seca? Ilustrando desse modo, talvez eu devesse ir buscar refúgio no litoral, mas todas as vezes que estou prestes a embarcar em um pau de arara, eis que a chuva começa a cair. Agora, observando por outro ângulo, o problema pode estar no medo. Sim, pois para escrever é preciso mergulhar profundamente nas entranhas da alma e transformá-la...

Da Superficialidade às Estrelas Cadentes

Talvez as melhores obras tenham sido realizadas nos tempos de outrora pelo simples fato das pessoas terem o hábito de olhar mais para o céu à noite. Ao constatarem aquele aglomerado de corpos celestes, sem ao menos entenderem suas estruturas, percebiam o imensurável mistério circundante. Não havia mente que permanecesse apática diante do terrível breu adornado de rútilas estrelas. Era refletida, então, a profundidade da alma dos que extraíam belas canções ou pinturas nascidas da noite sem fim. Outros, entretanto, tinham seus pensamentos moldados à trivialidade, sendo incapazes de perceber a faustosa manifestação natural ou tirar algo proveitoso desse espetáculo. Suas mentes estavam condicionadas àquilo que julgavam importante, o que na maioria das vezes dissertava-se em liames narcisistas. Nada os importava; nada os surpreendia; nada os emocionava... Passavam suas vidas ditando suas preocupações sem qualquer importância e logo caíam no esquecimento, como uma pena que se desprende do co...

O Campo Cinzento das Palavras

Lá estava eu, desacordado sobre as cinzas das palavras. Depois de um incêndio ter devastado o campo das ideias, arruinando todos os pomares textuais organizados em minha mente, só me restou o fino borralho batido ao chão. Ali eu adormeci a espera da fênix, cujo ciclo se concretiza em seu ressurgimento das cinzas. Em meio aquela opacidade, algo começava a reluzir. Uma palavra!? Estaria eu no fosso das palavras minguantes? Improvável, pois a sensação dessa vez não se restringia nas paredes de uma caverna, mas na amplitude de uma campina inabitada. A palavra não caiu de cima como da última vez, cabendo-lhe o ofício de broto numa terra ressequida. Enfim, pude esfregar os olhos e forçar a leitura: "predicado". Era um substantivo se revelando a mim. E eu, como sujeito daquela ocasião, logo entendi o porquê. Os campos cinzentos e desertos eram inerentes à minha essência, atribuídos ao gênio da escrita que vez ou outra costumava florescer. Apesar do cenário melancólico, não me sentia...

Menos Imagem, Mais Imaginação

Desde o começo, me propus a escrever... Experiências, reminiscências, casos e outras coisas que viessem à minha mente. E estive fazendo isso com muito gosto em apurar o ofício da escrita de acordo com as publicações esporádicas. Lembro-me de ter escrito sobre a volta dos textos desorientados, pois, de fato, esta é a melhor classificação para tais linhas corridas: sem um tema específico, apenas palavras organizadas em pensamentos que ganham suas formas em breves parágrafos. Tudo corria bem quando a inspiração vinha; os textos surgiam como uma teia concluída às pressas por um aracnídeo perdido em tantos afazeres. O problema estava no toque final, na cereja do bolo, no último elo de conexão entre dois extremos: na imagem que ilustrava o relato. Aí firmava-se um problema! O último nó da teia não seguia a fiada dos pontos da obra, concedendo um resultado oposto ao almejado. Queria embelezar o texto, tornando-o mais atrativo. Tiro n'água. Ao pesquisar uma imagem adequada para vir à frent...

Adeus, Redes Sociais!

Hoje excluí definitivamente minhas redes sociais. A sensação que veio logo após o ato foi da mais cristalina liberdade, como se os holofotes tivessem se apagado e toda futilidade tivesse se esvaído numa leve brisa. Sim, acredito ter sido uma sábia atitude tomada, ainda mais encarando o modelo de vida que tenho aspirado nos últimos tempos. Posso dizer: não preciso dessa capa que encobre a realidade com seu tecido egocêntrico. Se soubesse, teria feito antes. Teria saído de cena; das telas policromadas; das ideias materialistas e dos modelos exacerbados em delírios. Busco a simplicidade de novo... E de novo a encontrarei na realidade dos feitos corriqueiros que trazem o brilho da poesia ao longo de sua extensão. Sim... É isso que quero! Ser simples! Como a folha da árvore frondosa que balança com o vento e a chuva. Não existe isso nas populares redes sociais, pois o próprio nome afirma que tais folhas estão presas em grossas redes que impossibilitam os movimentos da liberdade. Presas em o...

Os Mistérios do Entardecer

Ainda não perdi o hábito de contemplar a magia do entardecer. Lembro-me de ter escrito em algum lugar sobre este belo espetáculo que todos os dias nos concede um jogo de sons de movimentos. Isso ocorre devido à passagem do vento sobre as frondes das árvores, que se entregam ao sono juntos aos pássaros. Os antigos contavam a lenda de um anjo que vinha trazendo a noite como alguém que puxa um grande lençol. Aos poucos, ele percorria os extremos do horizonte até tudo ficar escondido debaixo do negro pano celeste. São histórias como esta que afloram a imaginação de uma criança; quando elaborava a cena, me vinha à mente as peripécias que este fantasioso ser poderia passar em seu trajeto. Imaginem se o lençol furasse? Pois às vezes ele furava! Nas noites de céu estrelado, quando alguém, talvez, quisesse impedir o anoitecer. Eu não duvidaria que pudesse ser alguma criança temerosa por seus pesadelos, rezando para o dia não acabar. Com simplórias orações, conseguia atingir o gigantesco pano, f...

Uma Colher a Menos de Açúcar no Café

Seguindo a perspectiva do efeito borboleta, aderi uma linha de pensamento bastante inspiradora para os próximos dias. Suponhamos que um inseto de fato bata suas irrisórias asinhas e cause um furacão do outro lado do mundo; assim aconteceria também se me disponibilizasse em fazer pequenas ações que se desdobrariam em grandes causas futuras. Ilustrando esta afirmação com o café que bebo todas as manhãs, resolvi cortar o açúcar pela metade. Das duas colheres, só me restou uma. "Como alguém pode enfrentar as contrariedades do dia se não consegue nem sequer encarar o real gosto do café?", assim conduzi a meta vigente. Ainda que tal consequência englobe apenas minha própria saúde, a reflexão alcançada me permitiu levar este raciocínio para outras áreas. Lembro-me, certa vez, de ter publicado um artigo sobre o ser da mitologia grega Caronte, o barqueiro dos mortos, pois tinha achado sua história fantástica. O interesse veio após eu ter assistido a um filme onde o mesmo aparecia; mas...

Experiência de publicar no Wattpad: Entre Asas e Raízes

Abracei a aventura de publicar um livro de poesias no Wattpad pois há muito venho acompanhando relatos de autores que obtiveram grandes retornos na plataforma. A obra reúne alguns poemas que escrevi no ano passado, relembrando as experiências da minha infância no interior de Minas Gerais e do contato direto que tive com a natureza durante minha fase de crescimento. Intitulado de Entre Asas e Raízes, sua primeira análise foi disponibilizada ontem no Pena Pensante; por isso não irei abordar os detalhes da obra nesta publicação, mas apenas compartilhar a experiência que os dois primeiros dias de "autor" trouxeram a mim. Como todos sabem, esses meios são livres, gratuitos e acessíveis a qualquer um. Quando vi minha pasta de escritos no computador, logo pensei que deveria encontrar um lugar para publicá-los; isso seria melhor que deixá-los esquecidos do jeito que estavam. Recordei-me então deste site bem popular e quis dar uma chance ao processo — que, por sinal, é bem parecido co...

O Grão de Feijão e a Semente de Laranja

Em uma outra pérola que compõe o cordão de histórias fascinantes de minha vó, eis que reluz o episódio do grão e da semente. Estava eu menino na cozinha, brincando com minhas miudezas, enquanto dona Zulmira terminava de fazer o almoço. Panela de pressão chiando, fumaça subindo ao teto, uma melodia já esquecida ecoava pelo ambiente na voz trêmula da velha senhora. Lembro-me de ter feito uma pergunta simples para a mente infantil, porém complexa ao emaranhado de pensamentos adultos: "Se o feijão vem da terra assim como a laranja, por que ele não vira uma fruta também?". Como foi bom conviver com a sabedoria dos mais velhos, ainda que por pouco tempo. Com suas mãos cansadas repletas de veias saltadas, vó Zulmira pegou uma semente de laranja, ainda no coador de suco, e um grão de feijão. Chamou-me para fora e introduziu os dois caroços na terra dizendo-me: "Veremos o que acontecerá nos próximos dias". Assim, continuamos nossos afazeres. Na manhã do segundo dia, ouvi sua...

Bem-te-vi na Espreita

Sua fama corria ligeiro por entre os galhos da mata. Todos sabiam que nada parava naquele bico sutilmente comprido e articulado que tanto proseava entre os cantos junto aos prantos. De fato, possuía a capacidade ímpar de estar no miolo... “Miolo?” Sim!!! Onde o fermento faz efeito quando esquenta. É no miolo que as coisas acontecem. Por isso sua presença constante, ainda que coadjuvante; afinal de contas, não era de seu interesse chamar atenção e muito menos ser protagonista. — Lá vai ele meter o bico onde não é chamado. — Os canários queixavam-se uns com os outros. — Para depois espalhar na mata, sempre aumentando um ponto. “Bem te vi!!! Bem te vi!!!” — Pronto — todos da árvore estavam atentos —, quem será que ele viu dessa vez? Assim começava um cochicho interminável, numa mistura de piados: agudos, graves, longos e curtos. Queriam saber quem havia sido avistado. Claro, pois a ave viu alguém... fazendo alguma coisa... — Ouvi dizer que foi a cambacica Susana — disse o sabiá ofegante d...

O Portão que Não Mais se Abriu

A vila se alegrou quando seus moradores souberam no nascimento de Matias, filho de um casal conhecido por aquelas bandas. Seu pai trabalhava na fazenda de café do coronel, exercendo a função de inspetor. Moço carismático, amigável e solícito. A mãe, dona de casa, trabalhava para manter o lar que agora ganhava um novo integrante. Que alegria foi a chegada do menino. Matias crescera como uma criança feliz, brincando nas ruas de pedras com os outros meninos. Corria, cantava e sorria. Às tardes escutava o chamado de sua mãe dizendo para entrar; assim, esperavam o pai chegar do serviço. Jantavam conversando alegremente e dormiam para, enfim, reiniciarem os afazeres mais uma vez. Na escola, Matias brilhava. Se destacava dos demais colegas pelas contas que fazia de cabeça. Decorara a tabuada antes de qualquer um e se orgulhava disso. Ao ouvir o sino, corria para casa, com fome, pensando no que haveria para comer. Broa de milho com café era o que sonhava todos os dias Estava com doze anos quan...

Quando um Cronista Morre

Tal como a definição de crônica tremula entre o início e o fim de um acontecimento com facetas de um curto período que geram histórias entreabertas na poetização, também notamos um movimento no cronista, que dura somente o tempo necessário para extrair a sutileza de seu sólido texto. Depois ele morre. Sim, o cronista morre para renascer em outra história, outro tempo, outras linhas de um contexto inominável. Afirmo isso como pessoa que vivenciou a morte do cronista, chegando a ler seus próprios textos e não se reconhecer nos parágrafos eternizados. Eternizados, mesmo? Perguntei-me como alguém eterniza algo criado em tão curto tempo para morrer em seguida e deixar o trabalho a ver navios. Vejam só: quando um indivíduo se propõe a criar algo dentro dos conceitos artísticos, por livre e espontânea vontade, ele faz isso para se autossatisfazer e, assim sendo, eternizar os sentimentos que transbordam em seu íntimo no instante em que se dedica a isto. O fato de outras pessoas admirarem tal o...

Importância: Uma Bolha de Sabão

Chega a ser engraçado quando paramos para analisar a expressão "dar importância para..", como se ela nos pertencesse e pudéssemos distribuí-la para tudo o que classificamos como importante. Em Minas, a vogal que inicia o termo já foi desclassificada nas prosas estendidas pelas horas sem fim. "Não tem portância , não!", partindo sem deixar rastros de sua existência. Mas, vamos aos fatos: toda experiência que vivemos tem alguma importância em determinado grau ou angulação. Uma vez vivida, gera-se um estágio de formação de novos interesses, dando luz a novas importâncias. É só imaginarmos o arco que cria a bolha de sabão; quando formada, é digna de toda atenção em seu movimento moroso pelo ar. Em um instante, ela desaparece diante de nossos olhos e uma nova bolha é criada. Assim é imputada a relevância dos fatores que constituem nossa vivência. Tal reflexão não abrange a importância atribuída às obras de arte ou aos feitos honrosos que se eternizam com o tempo, já que ...

Ofício da Resenha: Vontade que se Esvai

Existe algo bastante curioso de ser levado em conta: quando ocupamos nossa mente com novas ideias, as antigas param de fazer sentido. Consequentemente, deixamos de ver importância no que antes era tido como o entreposto das atenções, passando a dedicação ao caminho dos planos preconcebidos. Seria isso insanidade? Talvez sim... Mas foi esta a mesma sensação que me moveu a escrever sobre O Homem de Terno Marrom, de Agatha Christie, abrindo espaço para centenas de novas resenhas. Que palavra estranha: resenha. Quando me perguntaram seu significado no início, eu nem soube responder. Meses depois descobri que se tratava da junção do resumo de determinada obra com minha sincera opinião. Vejam só! Novo verbo para o meu arcabouço de palavras utilizáveis. O fato é que muito aprendi com esses textos analíticos, apurando minha forma de escrever e aumentando meu vocabulário. Se hoje consigo fazer uma profunda reflexão sobre determinado assunto, atribuo esta capacidade às resenhas. Mas entendo tamb...

Aquilo que não está nas telas...

Passei por um período onde tinha o hábito de me desligar das coisas eletrônicas ao meu redor, a fim de recolher-me em silêncio para analisar os fatos verdadeiros de minha realidade. Digo verdadeiros por estarem presentes na profundidade dos dias que vivia de forma desordenada, não abrangendo a superficialidade das telas luminosas. Que coisa absurda pensar que a preocupação que consumia minha mente se resumia na carga de informação desnecessária que estava recebendo constantemente. Depois de tantos livros lidos e analisados, será que eu não saberia controlar essa situação? Por volta das 18 horas, passei a encerrar minhas atividades virtuais. Desligava todos os aparelhos da tomada, juntamente às luzes fluorescentes, e esperava a noite chegar. Que coisa maravilhosa era o entardecer! Abria a janela e me atentava ao espetáculo que todos os dias estava à minha disposição. Ao longe podia ouvir uma Ave Maria, vinda do convento das irmãs franciscanas, junto aos pássaros que voltavam para os nin...

De Poliglota para Cronista

Percebi que não havia mais sentido em continuar com o nome Penasso Poliglota para este espaço. A decisão se concretizou por uma série de motivos que me levaram a alterá-lo para Penasso Cronista. De fato, todos hão de convir que a segunda opção melhor concerne ao tema pelo simples fato de enlaçar um arcabouço de textos desorientados cujo conhecimento de idiomas em nada diz respeito. Lembro-me de afirmar na primeira publicação que pretendia fazer uma experiência de troca, buscando praticar minha escrita e apurar meu trabalho no Pena Pensante — site literário onde resenho livros para editoras. Na época, estava entrosado ao estudo diário do italiano e francês, o que me fez acreditar que eu poderia dividir minhas experiências com qualquer um que estivesse interessado. Contudo, nada disso aconteceu. Minha aspiração ao universo literário fez com que eu tecesse curtas histórias que vinham à minha mente, seja pela vivência ou pela imaginação. O resultado foi exposto em mais de cinquenta artigos...

O Fosso das Palavras Minguantes

Estava eu caminhando alegremente pela estrada dos textos sem fim, observando os detalhes do percurso com tanta admiração que meus olhos brilhavam. "Se eu continuar nesse passo, chegarei longe", presumia em cada curva contornada. E lá se revelavam os mistérios sentimentais encobertos pelas palavras ritmadas e organizadas em seus respectivos parágrafos. Que dia lindo! Uma estrada plana a percorrer. Em meio às faustosas minúcias da escrita, me perdia em pensamentos e não me atentava mais aos desafios do formoso itinerário. Muito menos ao imenso fosso que se aproximava... No qual ainda tive a audácia de cair sorrindo. Nem jus à queda eu pude fazer, com um semblante de preocupação para marcar aquela fase que acabava de começar. O fosso das palavras minguantes: lugar silencioso, vazio e apático. Vez ou outra, uma goteira fazia barulho; insuficiente para intentar alguma coisa concreta. Era ali que eu estava. A única coisa que podia ser feita, então, era sentar-me em suas encostas e ...

Rosas pelo Caminho

Em sua roda de amigos, Estêvão sempre encontrava uma brecha para falar de sua vitória no concurso regional de poesias. O rapaz que expressava tamanha alegria em poder compartilhar essa conquista, afirmava que nem todas as peças haviam se encaixado para que tal feito se concretizasse. Quem não conhecia a história, questionava o porquê. Acontece que Estêvão era moço de muita fé e devoto de Santa Teresinha do Menino Jesus. Dez dias antes de imprimir o original com quarenta páginas de seus melhores poemas, ele começou uma novena pedindo a graça de vencer o concurso. "Pelos méritos de tão querida santinha, concedei-me a graça que ardentemente vos peço, meu Jesus, se for conforme a vossa santíssima vontade", declamava convicto de que estava sendo ouvido. Seus amigos não entendiam onde Estêvão queria chegar com essa fidúcia. Ele precisava explicar que o processo era tido como a Novena das Rosas, pois Santa Teresinha concedia uma bela rosa àqueles que receberiam a graça almejada após...

Entre Tantas Vozes

Confesso que não pretendia escrever nada durante a Semana Santa, pois queria fazer desse momento uma fonte de introspecção e oração; só acabei cedendo à vontade de formular poucos parágrafos porque vi que poderiam ser úteis em caso de uma provável releitura dentro de alguns anos. Pois é! Às vezes temos de abrir a mente para futuras interpretações, sem descartarmos a importância de se viver um dia de cada vez. Digo isso pois me vejo intrincado em um garimpo de informações do qual preciso selecionar os aspectos virtuosos e descartar os que não agregam valores em minha vida. Ilustrando com um exemplo, cito a famosa frase de que "o trabalho lapida o caráter do homem", e concordo plenamente com ela. Só que assim como a pedra quando lapidada precisa de todo cuidado, devemos nos atentar às nossas limitações para não sofrermos com a broca da vida. Do contrário, ao invés de realçarmos o precioso brilho da gema, a destruiremos por uma ganância exacerbada de se buscar formas polidas ond...

50 Matizes de uma Vida Costumeira

Lembro-me, até hoje, das fábulas de La Fontaine que li na infância. Que espetáculo os animais compunham em meus pensamentos vagantes e despreocupados; uma verdadeira obra-prima ilustrada no imaginário de uma criança cercada por adultos. Foram páginas ásperas de antigas obras que exalaram o cheiro plangente do rigoroso tempo na estante destituída de leitores. Apenas eu era capaz de sentir aquela emanação clemente que vinha ao meu encontro, fazendo-me um senda de folhas cortantes que apuravam as ideias aos poucos. Anos depois descobri que muitos daqueles contos foram adaptados da obra de Esopo no século VII a.C. Durante todo esse tempo, os desfechos éticos mantiveram sua essência ornando os protagonistas com virtudes na pele de animais possuidores da razão. Hoje é fácil darmos definição ao âmago fabulístico, mas se pararmos para pensar que naquela época tais conceitos não eram concretizados e precisos como são nos dias atuais, percebemos o poder da literatura em perpetuar-se nas páginas ...

Sigo com a Meta Tolkien

Quando optei por passar um tempo longe dos textos diários, mantive em mente minha meta de leitura das obras de J. R. R. Tolkien para o ano de 2018. Ainda que seja de forma lenta, tenho conseguido concluir os capítulos e sentir tudo aquilo que o autor nos disponibiliza em sua literatura fantástica. Falando no âmbito internacional, posso afirmar que Tolkien é o meu escritor preferido por ter conseguido criar não só uma história, mas um autêntico universo, extremamente detalhado, que nos permite ultrapassar as berreiras da racionalidade e adentrar em um mundo imaginário, contornando nossos pensamentos de magia. O que exponho aqui, de fato, já foi ecoado aos quatro cantos por milhões de leitores: não dá para comparar dois meios midiáticos distintos no quesito de qualidade. Digo, buscar relação qualitativa entre filme e livro. Os dois são bons dentro daquilo que oferecem, porém, devemos estar conscientes de que Tolkien foi um escritor e não um diretor de cinema. Eu, por mais que tivesse ass...

A Entrega que Jamais Chegou

Em uma de minhas parcerias, solicitei dois livros históricos: um falava dos italianos, enquanto o outro, dos portugueses. "Chegarão ao seu endereço em menos de dez dias úteis", afirmou a responsável por encaminhar as obras. Mal podia esperar, já que ambas faziam parte de uma coleção bem atrativa que estava sendo lançada. E lá se vão os dez dias sem nenhum sinal dos correios. "Essas coisas costumam atrasar mesmo!", assim não ousei incomodar a moça durante um tempo. Foram necessários vinte dias para eu tomar a iniciativa de escrever à editora. Em meu e-mail disse que até então os exemplares não haviam chegado e por conseguinte não liberaria as análises a tempo. "Bom dia, Filipe. Infelizmente ocorreu um erro em nosso estoque e o pacote foi encaminhado sem o número do seu apartamento. Agora ele está retornando para São Paulo e somente quando chegar, poderei reencaminhá-lo ao endereço correto". Coisas da vida! "Ficarei no aguardo! De qualquer forma, muito ...

Um Outono Mais Poético

Há algumas semanas, havia mencionado sobre minha coleção incompleta das obras escolhidas do ilustre escritor Humberto de Campos. Tratava-se de uma coletânea publicada pela Opus Editora no início da década de 1980 com dez volumes. Sabia que minha busca pelo primeiro exemplar era massante e infrutífera, somando-se anos de resistência a este propósito. Imaginem só, como era embaraçoso olhar para meu acervo pessoal e notar uma falha na célebre edição azul celeste que adornava um lugar significativo do meu campo de visão. Lá estava o espaço vazio: Poesias Completas! Ora, que ironia quando se pensa dessa forma. No caso, seriam incompletas, faltando apenas o primeiro volume que, devido à severidade do tempo, se desvinculara de seus companheiros de estante. E assim o tempo foi passando, fazendo-me acostumar com o desguarnecimento poético que aquela quebra de estruturação provocava. Teria de começar a leitura logo por suas memórias? Calamitoso! Mas era o jeito... Foi então que pensei: "Far...

Sintetizando as Metas: Italiano Permanece!

Voltando à normalidade das metas traçadas para o ano, percebo que já estamos quase no fim de março. O tempo realmente não para àqueles que têm objetivos a se concretizarem. Mas ainda estou em vantagem! Ontem mesmo retomei os estudos da língua italiana, cujo progresso vinha compartilhando desde o início. Preciso recuperar este fator que faz jus ao nome do site: Penasso Poliglota. Ora, imaginem que constrangimento seria caso alguém perguntasse quais idiomas fazem de mim um poliglota. Inglês? Ser bilíngue não é o suficiente! Mas vamos com calma: apesar do tempo acirrado com uma agenda repleta de compromissos, decidi me dedicar somente ao italiano e, por ora, deixar o francês de lado. Enxergando o processo de aprendizagem como uma transferência de dados, quanto mais informações eu tentar absorver, mais tempo meu cérebro levará para organizar e armazenar o conteúdo. Desse modo, como não tenho o relógio como um aliado, preciso focar naquilo que terá maior importância para o meu desenvolvimen...

Os Capitéis da Trivialidade

Lembro-me de ter escrito um texto por dia durante o mês de janeiro. Tracei esta meta e pude alcançá-la com êxito logo no início do ano; contudo, após o termino dos primeiros trinta dias dedicados à Coluna Diária, as coisas desandaram por aqui. Pelo fato de não ver mais o ofício como uma incumbência, deixei a corda da inspiração se arrebentar e se perder entre as idas e vindas dos compromissos corriqueiros. Que lástima! Posso dizer que eu mesmo era o leitor mais fiel daquilo que escrevia, já que a mente não consegue guardar tudo que relatamos em palavras, sendo uma fonte notável de entretenimento as horas depositadas à leitura daquilo que transformamos em textos corridos. O fato descrito aqui não diz respeito ao tamanho dos artigos e crônicas publicadas, nem tampouco de sua qualidade, mas sim da eficácia e compromisso ao escrever algo diário com o intuito de apurar os pensamentos para melhor uso das expressões, seja num contexto lido e falado ou, até mesmo, na competência de verbalizar ...

A Escrita que Vai Além das Páginas

Foi lá pelas bandas da Zona da Mata Mineira que um rapaz, instantes após revisar seu primeiro livro, saiu para imprimir e encadernar uma cópia do trabalho que, até então, se encontrava apenas em seu computador. Estava contente com este feito memorável que marcara uma longa caminhada: finalmente ia dar vida à sua obra. Dia claro, clima agradável. Fiéis se reuniam na gruta de Nossa Senhora Aparecida para rezar o terço. Resolveu parar ali para, talvez, acompanhar uma Ave Maria. Nesse momento, alguém segurou em seu ombro e lhe disse: "A catedral está fechada, será que não vai ter confissão hoje?". Era uma senhorinha já pelos setenta anos, de roupas humildes, cujo tempo desempenhara com rigor o papel atribuído. O rapaz olhou seu semblante cansado e compartilhou um singelo sorriso. "Talvez na Igreja de São Sebastião você encontre um padre para te atender", respondeu. Imediatamente a senhorinha se entristeceu e abaixou a cabeça. O moço percebendo que ela não sabia chegar à...

Seria isto uma crônica?

Pensei que poderia escrever algo hoje, mas me enganei. Queria falar sobre os exercícios de memória que um site havia me ensinado. Segundo ele, poderia fazer uma série de coisas diárias para melhorar minha capacidade de lembrar das coisas. "Que maravilha!", logo pensei. Mas a prática foi tão insignificante que acabei me esquecendo do assunto. Tudo bem, às vezes este recôndito processo tenha validade para alguns afortunados. Além do mais, estou com um livro sobre o tema para resenhar, só que nem comecei sua leitura. O fato é que nos lembramos daquilo que gostamos ou que temos algum interesse pessoal para darmos seguimento aos planos. Digo isso pois tenho me lembrado apenas de uma coisa ultimamente, cujo nome é tido como artigo científico. Sobre este aspecto, acredito que mesmo o mais célebre dos escritores teria uma dose de apoquentação para enfrentar. Apoquentação? Pois é: chatura, cacetada, importunação, desgosto... Não basta saber verbalizar o ponto de vista, tem que provar ...

A Volta dos Textos Desorientados

Devo abrir espaço a uma confissão: perdi minha motivação durante alguns dias para prosseguir com o Penasso Poliglota. A partir daí, comecei a me questionar sobre a necessidade da plataforma perante aos encargos que venho desempenhando. Refleti durante um tempo e acabei encontrando, mais uma vez, a mesma motivação sucumbida nos abismos do meu raciocínio. Acontece que ultimamente as coisas estão bem acirradas no que diz respeito às minhas obrigações. O último semestre de Relações Internacionais trouxe-me um ofício extra: a elaboração do meu artigo científico. Desse modo, todo tempo livre que tenho à prática da escrita, acabo depositando neste bendito e exaustivo trabalho, cujo tema enlaça o itinerário de um caminho sustentável para o futuro por meio das fontes renováveis de energia e os benefícios que elas proporcionam à economia, ao comércio, à diplomacia, enfim... Não estou tendo muito tempo! Apesar dos pesares, pretendo voltar a escrever os textos responsáveis por explorar minha capac...

Ainda pode ser chamado de Penasso Poliglota?

Percebo que a ideia de nomeação do blog não faz mais jus ao conteúdo de seus artigos, pois deixei de me dedicar ao estudo do italiano e francês nos últimas dias. Isso se firmou logo quando o recesso de sete dias chegou ao final, causando uma ruptura no cronograma e resultando na desmotivação para continuar me dedicando todos os dias ao aprendizado dessas duas línguas. Compreendo que falhei. Não consegui captar os benefícios das horas dedicadas ao ofício, nem apurar meus pensamentos para prosseguir. Tal sensação de fracasso pesou de ontem pra hoje, fazendo-me colocar em xeque o próprio nome da plataforma. Apesar dos pesares, consegui achar um resquício de ânimo para continuar aprendendo essas línguas. Resta-me saber como desenvolvê-lo novamente, para que ocupe seu lugar nos espaços vazios deixados pela preguiça e procrastinação. Não pretendo alterar o nome do blog, ainda que eu não seja de fato um poliglota, pois, caso isso acontecesse, passaria a se chamar "Penasso Bilíngue" ...

As Renovações de 2018

Renovei pelo terceiro ano consecutivo a minha parceria com o Catálogo Literário do Grupo Editorial Record, o que me deixou muito feliz e entusiasmado. Essa associação foi a primeira que conquistei para o Pena Pensante logo no início do projeto literário, sendo ela o fator responsável por me apadrinhar nesse meio. Afirmei alguns dias atrás que havia recebido diversos "nãos" no decorrer das inscrições abertas, mas que a cada "sim" auferido, era renovada minha motivação para prosseguir. E posso completar dizendo que todas as editoras que me deram oportunidade para resenhar suas obras, são peças fundamentais não só no desenvolvimento da plataforma onde escrevo, mas também do meu intelecto, já que a cada livro lido, agrega-se uma dose de conhecimento ao meu raciocínio. Essas renovações são de suma importância para manter viva a chama da motivação, extremamente necessária para a criação de conteúdo literário. Afinal, quando sento para escrever as análises, tenho esperança...

Uma Ocasional Escassez de Palavras

Nos últimos dias venho notando uma dificuldade para escrever. Algo que aparenta ser familiar e extremamente contornável, mas que sempre traz consigo uma dose de desânimo. Afinal, tal dificuldade anda paralela à força que cessa a inspiração intrínseca à criação de conteúdo. A experiência é como uma fonte; às vezes jorra água de forma abundante, e outras nem tanto. Talvez isso ocorra esporadicamente devido às perspectivas que vão surgindo no dia a dia e enraizando suas ideias nos espaços vazios da mente. A nossa sorte é que, vez ou outra, acontece algo nesse berço de palavras, como o pássaro que mergulha em uma bacia represada, movimentando-se alegremente e fazendo a água se espalhar pelo local. Pensando dessa forma, o que poderia ilustrar a ave no ofício da escrita? Ora, de fato, trata-se da própria vivência e da forma com que encaramos a mesma. Se houver empatia, a fonte voltará a funcionar normalmente, mas no caso da indiferença diante das situações corriqueiras, a água permanecerá pa...

Restauração de Santa Teresinha

Quem compreende o significado da arte e sua ação na vida de quem a pratica, não fica preso somente ao conforto daquilo que se domina, mas busca desafios que fazem o indivíduo adentrar por campos antes não desbravados. É assim na escrita, quando nos sujeitamos a criar novas histórias, deixando os próprios personagens conduzirem a caneta. Hoje, transcendi o ofício que venho praticando ao mudar o ângulo artístico da escrita para a pintura, o que é uma exibição manifestada pelas cores, e não pelas palavras. Além do mais, digo que o detalhe extraordinário desse momento foi o fato de tal expressividade ter sido desempenhada na restauração da minha Santa Teresinha do Menino Jesus. Por isso não tenho muito o que dizer, uma vez que fiz das cores a fonte do meu anseio de revelação, o mesmo responsável por apresentar-me o resultado final. Mas, ainda assim, não deixei de dedicar alguns minutos à Coluna Diária, já que tenho levando sua rotina a sério. Sintetizando os fatos do artigo, posso dizer qu...

A Força Motivadora de um "Sim"

Depois de ter publicado um artigo expondo os primeiros "nãos" do ano, junto às reflexões que eles trouxeram consigo, está na hora de mencionar as respostas afirmativas que obtive no decorrer desse meio-tempo e a força motivadora que elas exerceram perante o meu desejo de continuar criando conteúdo. Nem preciso mencionar o fato de um "sim" ter mais valor do que todos os "nãos" juntos. Excepcionalmente, no dia de hoje, conquistei dois deles, que correspondem a duas novas parcerias editoriais para o Pena Pensante. Trata-se da Editora Contexto e da Editora Global, para quem irei resenhar os livros que receberei esporadicamente. É interessante ressaltar o fato de eu ter mantido, por muito tempo, uma barreira para o meu desenvolvimento no ofício de resenhista, devido ao fato de construir a fonte de toda inspiração paralela a uma suposta remuneração financeira. Contudo, aprendi que a experiência que venho recebendo não se sustenta em bens materiais, mas sim em qu...