Reflexão das Aves e Suas Memórias
Foi contemplando o céu nublado da minha linda cidade natal, que pude recordar-me de um antigo conto muito presente em livros de páginas amareladas. “Onde estão as aves do céu?”, pensei. Tão logo me veio à mente o relato de Esopo sobre o tempo em que houve uma convulsão entre todos os habitantes do ar. Em decorrência, surgiu uma ferrenha discórdia entre as aves. Não que o episódio viesse dos pássaros primaveris, que viviam em comunhão nos mais belos jardins, ocultando-se às ramagens e despertando com seus gorjeios o amor em nossas almas. Esses, segundo o fabulista, eram “os litigantes membros da comunidade volátil que cedia seus representantes para voarem pelos ares levando a carruagem das virtudes”. Quem se entregava à confusão eram os abutres que, com seus bicos retorcidos e garras afiadas, disputavam os restos mortais de um cão. Não houve exagero quando Esopo mencionou o derramamento de sangue. De fato, isso ocorreu copiosamente. O fato é que os abutres guerreavam entre si a p...